17/07/2026 | A tática do Governo na Copa do Mundo ficou sem narrativa. O “pano” com a reivindicação dos jogadores sobre as Ilhas, as palavras de Messi sobre o mau momento econômico do país geraram ruído no Governo. E abriu-se uma frente interna contra a ministra da Segurança, que é culpada por instalar a narrativa da proibição de bandeiras no estádio dos EUA.
Por Jonathan Heguier
FONTE: El Destape

Os jogadores da Seleção Argentina hastearam a faixa após o histórico 2 a 1 sobre a Inglaterra em Atlanta. Não apenas Lionel Messi e seus companheiros exibiram um “pano” com a reivindicação sobre as Ilhas Malvinas, mas também o camisa 10 depois falou sobre a crítica situação econômica que a Argentina vive. A bandeira e as palavras do capitão ecoaram dentro da Casa Rosada e geraram incômodo e conflitos internos na gestão de Javier Milei.
A tática do Governo na Copa do Mundo ficou sem narrativa. Milei perdeu. Foi um mês em que o Governo tentou instalar, por meio de seus aliados nas redes sociais e com programas de TV oficialistas, que a Seleção era “libertária” e aproximar o Presidente das conquistas da Scaloneta. Na quarta-feira, os jogadores responderam com fatos e palavras.
“Sabemos que há pessoas que passam mal, que não têm trabalho, que não conseguem chegar ao fim do mês”, foram as duríssimas palavras de Messi sobre a situação atual na Argentina. Na Casa Rosada, essas declarações não caíram bem.
Pouco antes, Messi e seus companheiros haviam pegado, nas comemorações em campo, uma bandeira da torcida com a inscrição “As Malvinas são argentinas”. A foto correu o mundo. Foi um gesto de rebeldia diante da proibição da segurança dos Estados Unidos de levar ao estádio de Atlanta estandartes relacionados ao conflito diplomático pelas Ilhas.
Um gesto que Milei criticou duramente na mesma manhã no rádio. O Presidente afirmou que o ocorrido em campo com os jogadores “não faz parte da diplomacia” e, sem precisar a quem se referia, questionou as expressões ligadas ao episódio e disse que se tratava de frases “impertinentes e impróprias” pronunciadas por “pessoas intrascendentes”. “Mostra a imprudência do agir de pessoas que poderiam ter responsabilidades sérias nisso. Felizmente, essas frases impertinentes e impróprias poderiam estar gerando ruídos que correspondem a pessoas intrascendentes e que ninguém lhes dá importância nem as considera seriamente. Tenham ou tenham cargos relevantes”, afirmou Milei em diálogo com o El Observador.
No Governo, há muita irritação com a ministra da Segurança, Alejandra Monteoliva, a quem responsabilizam e culpam por instalar a narrativa da proibição de bandeiras no estádio dos Estados Unidos por parte do Governo argentino. “Ela saiu para querer aparecer, para anunciar algo que não tem nada a ver conosco, porque isso não é uma decisão do Governo. Que se tenha proibido entrar com bandeiras é algo dos Estados Unidos. Nós não vamos dizer aos Estados Unidos o que fazer ou não com sua segurança”, lamentou uma fonte da Casa Rosada ao El Destape.
No governo libertário, estão furiosos com Monteoliva. “Ficou instaurado que o Governo proibiu que levassem bandeiras das Malvinas. Se fosse por nós, que levassem todos essa bandeira. Ontem, todo o raid midiático dela fez com que todos pensassem o contrário. Lamentável”, dizem no Governo ao El Destape sobre a atuação da ministra.
O “pano” com a reivindicação dos jogadores sobre as Ilhas, as palavras de Messi sobre o mau momento econômico do país geraram ruído no Governo. E abriu-se uma frente interna contra a ministra da Segurança, que é culpada por instalar a narrativa da proibição de bandeiras no estádio dos Estados Unidos.
Um setor do Governo tentou de alguma maneira passar pano sobre a rejeição do Governo à bandeira, mas não conseguiu. A conta oficial do A Liberdade Avança tuitou a foto dos jogadores com o “pano” e uma mensagem que dizia: “Somos um país, não um filme da Disney”, em referência às acusações de racismo contra nosso país e aos filmes recentes dessa rede com “discriminação positiva”.
Mas na Casa Rosada sabem que não conseguiram virar essa narrativa. “A campanha contra nós sobre as bandeiras foi bem feita”, afirmaram. “É incrível porque não há ninguém que ame mais Messi e essa Seleção do que Milei”.
E também resmungaram no Governo porque nem o Chanceler, Pablo Quirno, conseguiu se aproveitar da vitória e da reivindicação pelas Ilhas. “Quirno não podia dizer nada, ainda mais com o tema da bandeira. Vai sair para contradizer Monteoliva, que pediu para não levar bandeiras? Ela nos arruinou”, expressaram a este portal na Rosada.
