16/07/2026 │ Após vários dias de silêncio e em meio a fortes questionamentos da oposição, o Governo Nacional finalmente apresentou um protesto diplomático pela incursão do navio militar britânico HMS Medway em águas sob jurisdição argentina. No entanto, a Chancelaria decidiu tornar público esse protesto somente após a vitória da Seleção Argentina sobre a Inglaterra e a mensagem contundente dos jogadores em defesa da soberania sobre as Ilhas Malvinas.
FONTE: Primereando as notícias

Após a classificação para a final da Copa do Mundo, a seleção argentina mostrou uma bandeira com a legenda “As Malvinas são argentinas”, um gesto que foi celebrado por milhões de argentinos e que recolocou a reivindicação de soberania no centro das atenções.

Assim que a partida terminou, a chancelaria argentina divulgou um comunicado informando que o chanceler Pablo Quirno havia apresentado um protesto formal à Embaixada do Reino Unido pela presença do HMS Medway. “Na diplomacia, o trabalho não se grita como nos gols”, escreveu o funcionário em suas redes sociais.
No entanto, o próprio comunicado revelou que o protesto havia sido apresentado dias antes, quando o episódio já era de conhecimento público. A incursão do navio havia sido detectada pela Marinha Argentina vários dias antes e, até aquele momento, a única reação oficial havia partido do Governo da Terra do Fogo.
“É mais uma manifestação da má-fé britânica no Atlântico Sul”, denunciou então o secretário de Malvinas da província, Andrés Dachary. Enquanto isso, a chancelaria mantinha silêncio e, segundo informações, uma das principais preocupações do Governo era determinar como a informação sobre a operação britânica havia vazado.
No comunicado divulgado após a partida, a chancelaria afirmou que “o Governo argentino rejeita com firmeza esta incursão militar britânica em espaços sob jurisdição argentina, que se soma a uma política sustentada de atos unilaterais incompatível com as resoluções das Nações Unidas e com o dever de ambas as partes de se absterem de alterar a situação enquanto a disputa de soberania permanecer pendente de solução”.
A demora em tornar público o protesto gerou fortes críticas da oposição. Deputados da União pela Pátria anteciparam que convocarão o chanceler Pablo Quirno ao Congresso para que explique por que o Governo esperou vários dias para reagir e decidiu divulgar o protesto somente após o término da partida contra a Inglaterra.
“A chancelaria soltou o comunicado de protesto ao Reino Unido pelo navio inglês duas horas depois que a partida terminou. Não tiveram coragem antes. Mais capachos não se consegue”, questionou o presidente do bloco da União pela Pátria, Germán Martínez.
Na mesma linha, o ex-secretário de Malvinas Guillermo Carmona afirmou que o Governo escolheu deliberadamente o momento de menor impacto midiático para divulgar a reclamação. “Esperaram o resultado do jogo, quando toda a atenção estava voltada para outra coisa, para expressar a repulsa a um fato que exigia uma resposta pública imediata e categórica diante de uma ação ilegal e uma provocação inaceitável para o nosso país”, afirmou.
Para representantes da oposição especializados em política externa, o episódio reforçou as dúvidas sobre a estratégia internacional da administração de Javier Milei. Há algum tempo eles questionam que o Executivo evita confrontar publicamente o Reino Unido pelas reiteradas incursões militares no Atlântico Sul para não afetar o vínculo bilateral, num momento em que o Presidente prepara uma visita oficial a Londres para participar da chamada “Argentina Week in London”, prevista para o final de outubro.
A polêmica também coincidiu com a decisão do Governo de impedir a entrada nas arquibancadas de bandeiras com o mapa das Ilhas Malvinas por considerá-las conteúdo político, uma medida que contrastou com a mensagem da Seleção, que reivindicou novamente a soberania argentina assim que a vitória sobre a Inglaterra foi consumada.
