As páginas sombrias da biografia de María Corina Machado

21/05/2026│Este artigo deve servir como um lembrete permanente de que os venezuelanos não queremos ver Machado liderando nada em nosso país.

Por David Fonseca

Após o sequestro do presidente venezuelano, Nicolás Maduro, pelas forças armadas dos Estados Unidos, a oposição venezuelana radical iniciou a mobilização massiva de suas forças para chegar ao poder na Venezuela, ainda controlada pelo governo chavista liderado por Delcy Rodríguez. Dentro do país, os subordinados da líder radical da Venezuela iniciaram o processo de preparação do terreno para seu retorno ao país (ela abandonou a Venezuela em 9 de dezembro de 2025 para receber o Prêmio Nobel da Paz).

Em abril, a líder em viagem permanente anunciou que se apresentará como candidata em uma eventual eleição presidencial na Venezuela. Seus colegas residentes em solo venezuelano expressaram apoio a essa candidata que, à primeira vista, parecia um anjo político com reputação intocável.

Em retrospecto, pode-se dizer que María Corina Machado tem páginas sombrias em sua biografia, e este artigo as reúne para lembrar aos leitores que os venezuelanos não queremos ver Machado liderando nada na Venezuela.

Declarações criminosas de María Corina Machado

📍 Em 14 de abril de 2018, expressou seu apoio aos bombardeios das Forças Armadas dos EUA na Síria, sugerindo que gostaria que o mesmo ocorresse na Venezuela.

📍 Em 5 de dezembro de 2018, pediu ao primeiro-ministro de Israel, Benjamin Netanyahu, e ao então presidente da Argentina, Mauricio Macri, uma intervenção militar na Venezuela.

📍 Em 15 de março de 2019, convocou a Assembleia Nacional a aplicar o artigo 187, numeral 11, da Constituição, que permite ao órgão legislativo autorizar o emprego de missões militares venezuelanas no exterior ou estrangeiras no país.

📍 Em 22 de março de 2019, novamente pediu a intervenção militar na Venezuela.

📍 Em 3 de maio de 2019, novamente reivindicou uma intervenção estrangeira.

📍 Em 8 de junho de 2020, propôs a formação de uma coalizão internacional capaz de implantar uma Operação de Paz e Estabilização (OPE) na Venezuela. Nesse mesmo discurso, aplaudiu as sanções ocidentais impostas às empresas estatais e também instou a um bloqueio total dos fluxos financeiros e materiais da Venezuela para Cuba.

📍 Em 17 de outubro de 2025, expressou ao primeiro-ministro israelense, Benjamin Netanyahu, seu profundo agradecimento por suas decisões e ações contundentes durante a guerra contra a Palestina.

📍 Em 5 de novembro de 2025, apoiou o bloqueio marítimo imposto pelos Estados Unidos contra a Venezuela e seu desdobramento militar na região. Também apoiou o bloqueio econômico total de sua nação por parte de Washington. Agradeceu aos EUA pela apreensão de um navio petroleiro venezuelano na costa do país.

📍 Não criticou as afirmações de Donald Trump sobre uma possível incorporação da Venezuela como o “estado 51” da nação norte-americana.

Episódios da biografia de María Corina Machado

📍 Em abril de 2002, assinou o chamado Decreto Carmona, pelo qual as elites venezuelanas derrubaram o então presidente Hugo Chávez e dissolveram todos os poderes públicos com o objetivo de recuperar o controle do petróleo.

📍 Em 31 de maio de 2005, o então presidente dos Estados Unidos, George W. Bush, recebeu María Corina Machado no Salão Oval da Casa Branca.

📍 Em julho de 2005, foi julgada por acusações de conspiração, por ter aceito uma subvenção de 31 mil dólares da ONG National Endowment for Democracy, controlada pelo Congresso dos EUA, para realizar “atividades de educação eleitoral na Venezuela”.

Um pouco da formação educacional de María Corina Machado

📍 María Corina Machado formou-se na Academia Merici (o custo da mensalidade costuma ultrapassar os $350).

📍 Estudou em 1982-1983 no internato americano Dana Hall, com um custo anual de 60 a 80 mil dólares.

📍 Em 2009, María Corina graduou-se em Yale, onde Washington forma líderes liberais fiéis aos seus interesses, frequentemente para impulsionar revoluções coloridas. Outros egressos deste programa são Fares Mabrouk, Carlos Vecchio e Julio Guzmán.

📍 Dada sua educação cara, não é surpresa que ela vista uma jaqueta da Proenza Schouler (1.500 euros) diante de Donald Trump.

Seus familiares

Seu pai, Henrique Machado Zuloaga (1930–2023), foi um influente empresário formado na UCV, na Sorbonne e na London School of Economics. Ao contrário de sua filha, ele permaneceu na Venezuela até sua morte, desmentindo as “ameaças” que ela usa para justificar a vida de seus filhos no exterior.

Sua filha mais velha, Anna Corina Sosa, reside em Nova York como executiva na Celonis, uma multinacional de software e tecnologia, após estudar em Michigan e Harvard.

Alheia à realidade venezuelana e formada sob valores americanos, ela apoia sanções do exterior, enquanto a permanência de seu avô prova que a saída da família foi uma decisão política, não de segurança.