05/05/2026 │ O presidente argentino, Javier Milei, teria contribuído com 350 mil dólares para formar uma equipe de comunicação regional destinada a lançar uma campanha midiática contra os presidentes do México, Claudia Sheinbaum, e da Colômbia, Gustavo Petro, de acordo com gravações de áudio de uma conversa entre o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández.
por Stella Calloni
FONTE: Data Urgente

O presidente argentino, Javier Milei, teria contribuído com 350 mil dólares para formar uma equipe de comunicação regional destinada a lançar uma campanha midiática contra os presidentes do México, Claudia Sheinbaum, e da Colômbia, Gustavo Petro, de acordo com gravações de áudio de uma conversa entre o ex-presidente de Honduras, Juan Orlando Hernández, e as atuais autoridades hondurenhas, o que causou forte impacto na Argentina.
Os áudios “de WhatsApp, Signal e Telegram fazem parte de uma detalhada investigação jornalística publicada no Diario Red América Latina, dirigido pelo espanhol Pablo Iglesias (com sede no México), e no portal Hondurasgate“, informa o jornal Página 12. Hernández foi preso por tráfico de drogas nos Estados Unidos em 2024, condenado a 24 anos de prisão e perdoado por Donald Trump, apesar de ser um dos mais importantes chefes do narcotráfico da região.
Em um dos arquivos de áudio, Hernández afirmou “que, como parte desse grupo” ou ente continental, o papel de Milei é importante, porque ele contribui com milhares de dólares para a construção dessas fontes de fake news. “Vamos montar uma célula, presidente (hondurenho, Nasry Asfura). Daqui, dos Estados Unidos, para que não nos rastreiem aí em Honduras. Vai ser como um site de notícias latino-americanas”, destacou o jornal.
Dos áudios também surge que Hernández tem a tarefa de “atacar e extirpar o câncer da esquerda daí, de Honduras e de toda a América Latina”, informa o Diario Red, para o que precisa organizar e instalar nos Estados Unidos uma “unidade de jornalismo digital”, que será gerida por “alguém daqui, da equipe do presidente dos Estados Unidos”.
Em uma gravação de 30 de janeiro passado, Hernández garante que esteve “em uma ligação com o presidente Javier Milei e que foi bem-sucedida. Muito, muito, muito boa, e eu acredito que neste momento podemos fazer grandes coisas para toda a América Latina. Estão vindo uns dossiês contra o México, estão vindo uns dossiês contra a Colômbia, e o mais importante contra Honduras, neste caso contra a família Zelaya”.
No mesmo dia, foi vazada outra conversa em que Hernández envia uma mensagem à vice-presidente de Honduras, María Antonieta Mejía, e diz que precisa “ter essa liquidez, porque vamos montar um escritório aqui, com o apoio de alguns republicanos para poder atacar e extirpar o câncer da esquerda daí de Honduras e de toda a América Latina”.
“Apoio do México”
E novamente afirma que havia enviado mensagens ao presidente Asfura, a quem disse que conseguiu falar com Milei e “também um outro grande amigo nosso do México está apoiando, já para a questão dos mexicanos. Estamos bastante prontos e esperando que isso avance forte“.
O ex-presidente hondurenho Hernández, protegido por Trump, afirmou que seu perdão foi obtido graças “ao dinheiro que uma junta de rabinos contribuiu”, por isso tudo o que deve fazer é em favor dos Estados Unidos e de Israel, para garantir a eles o controle da zona.
“E acima de tudo, garantir uma estrutura jurídica que favoreça as empresas de inteligência artificial dos Estados Unidos e de Israel.” Seria por indicações de Trump que essa equipe foi formada, após o sequestro do presidente da Venezuela, Nicolás Maduro Moros, e de sua esposa Cilia Flores, em 3 de janeiro passado.
Naquela ocasião, Milei ordenou montar uma campanha contra o presidente venezuelano com protocolo especial, oferecendo aos Estados Unidos que Maduro fosse detido e “extraditado” para a Argentina.
A imagem de Milei cai dia após dia, e as pesquisas indicam que sua popularidade está no nível mais baixo que se tem notícia.
No momento, ele enfrenta solicitações de esclarecimentos ao parlamento sobre a série de manobras militares terrestres e aéreas que ocorrem na Patagônia argentina, parte cujo território foi entregue a empresas estrangeiras e, no aspecto militar, ao Comando Sul, somando-se a isso a denúncia da presença de 17 mil soldados israelenses naquela região.
