30/04/2026 – Revelado pela classificação anual da organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF). Devido ao aumento da hostilidade do governo em relação à imprensa e aos atos de violência contra jornalistas que cobrem manifestações, a Argentina caiu para a 98ª posição.
FONTE: Tiempo Argentino

A liberdade de imprensa no mundo caiu para seu nível mais baixo dos últimos 25 anos, alertou nesta quinta-feira a organização internacional Repórteres Sem Fronteiras (RSF) em sua classificação anual, na qual vários países da América Latina são vistos “mergulhados em uma espiral de violência e repressão”, enquanto os Estados Unidos caíram 7 posições.
Segundo a Agência Notícias Argentinas, os motivos se devem a “arsenais legislativos cada vez mais restritivos, que quase sempre se escudam em políticas de segurança nacional”, os quais “erosão desde 2001 o direito à informação, inclusive nas democracias”, indica o relatório.
Nesse sentido, mais da metade (52,2%) dos países do mundo se encontra em uma situação “difícil” ou “muito grave”, enquanto na primeira edição do ranking, em 2002, esses representavam uma ínfima minoria (13,7%).
O relatório menciona os ataques à imprensa pelo presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, como “uma prática sistemática”. Um exemplo disso foi a detenção e posterior expulsão do jornalista salvadorenho Mario Guevara, que informava sobre as prisões de migrantes.
Por outro lado, a RSF destaca os “fervorosos defensores” de Trump na América Latina, os quais “reproduzem o manual do inquilino da Casa Branca contra os meios de comunicação”, como o presidente Javier Milei e seu par salvadorenho Nayib Bukele, cujos países também recuam na lista.
Em que posição está a Argentina
Devido ao aumento da hostilidade institucional em relação à imprensa e aos atos de violência contra jornalistas que cobrem manifestações, a Argentina caiu 11 posições e se encontra no 98º lugar. Tudo isso em um contexto no qual o conflito entre o governo de Milei e os meios de comunicação somou um novo capítulo nesta semana, depois que o Executivo determinou o fechamento generalizado do acesso da imprensa à Casa Rosada, sede do governo argentino.
América Latina se afunda
El Salvador cedeu oito posições e ficou em 143º, após intensificar a criminalização do jornalismo. Devido ao crime organizado, o Equador (125º) perdeu 31 posições após os assassinatos de Darwin Baque e Patricio Aguilar. Também no Peru (144º; -14) a violência se intensificou e registrou quatro assassinatos de jornalistas em 2025. Por sua vez, a Venezuela (159º) continua imersa em uma grande incerteza quanto às garantias da liberdade de informação, apesar da libertação, no início do ano, de jornalistas presos. Enquanto Cuba (160º) atravessa uma profunda crise que obriga os escassos jornalistas independentes a operar cada vez mais na clandestinidade, na Nicarágua (168º) o panorama midiático está “em ruínas”, vítima de uma repressão sistemática e uma deterioração permanente das condições de exercício da profissão.
