O Governo no seu pior momento: o Índice de Confiança teve a queda mais abrupta desde o início da gestão de Milei

27/04/2026│O ICG de abril foi de 2,02 pontos: caiu 12,1% em relação a março e -13,2% em relação a abril do ano passado. Está pior do que Macri nesta altura do seu governo. As maiores diminuições do mês concentraram-se entre as pessoas com nível educacional secundário, os homens e o segmento composto por pessoas entre 30 e 49 anos.

Por: Guillermo Lavecchia

FONTE: Tiempo argentino

O Índice de Confiança no Governo (ICG) da Universidade Di Tella costuma ser uma das ferramentas estatísticas mais confiáveis no âmbito político e acadêmico. Em outubro passado, por exemplo, havia revelado um aumento da confiança no Executivo, que depois se traduziu na eleição nacional vitoriosa, após a debacle de setembro na Província de Buenos Aires. Agora, o número de abril, seis meses depois daquele momento, é contundente e acende os alarmes do A Liberdade Avança: registrou a queda mais abrupta desde que Javier Milei é presidente.

O ICG de abril foi de 2,02 pontos, nível que representa uma diminuição de 12,1% em relação ao mês anterior. Em março havia sido de 2,30 pontos e vinha caindo mês a mês desde o número de novembro, quando registrou 2,47 pontos. Em termos interanuais, o índice diminuiu 13,2%.

“Até agora em 2026, o ICG acumula quatro quedas consecutivas: janeiro (-2,8%), fevereiro (-0,6%), março (-3,5%) e abril (-12,1%), sendo esta última a mais acentuada. A contração acumulada desde o final do ano passado é de 17,9%. Neste contexto, a média da gestão Milei cai para 2,42 pontos, seu menor registro”, aponta o relatório.

O ICG mais baixo de Milei foi o de setembro do ano passado: 1,94 pontos. Mas, mesmo naquele momento, a queda em relação ao mês anterior (agosto de 2025) havia sido menor (8,2%) do que a obtida neste abril de 2026.

Um dado deverá irritar ainda mais o presidente, se ele chegar a saber: o atual nível de confiança é até 2,1% menor do que o de abril de 2018, durante o governo de Mauricio Macri (e, claro, supera amplamente o que ele tinha em abril de 2022, durante a gestão de Alberto Fernández). Nos últimos 25 anos, quem chegou com melhor ICG a esta altura do governo foi Néstor Kirchner: 2,49. O que depois se traduziu na reeleição da Frente para a Vitória.

Cai a confiança nos homens

Os cinco componentes do ICG apresentaram variações negativas em relação ao mês anterior. Em abril, Honestidade continua como o subíndice de maior valor, com 2,50 pontos (-8,4%), assim como Capacidade (-2,0%). O componente de Eficiência exibe o maior declínio do mês, com 1,87 pontos (-21,4%). Também diminuem significativamente a Avaliação geral do governo, que se situa em 1,64 pontos (-17,2%), e a Preocupação com o interesse geral, com 1,61 pontos (-13,9%).

“A diferença de gênero cai de 0,67 ponto em março para 0,31 ponto em abril. Isso se deve a um declínio significativo do ICG entre os homens, para 2,16 pontos (-16,9%). Entre as mulheres, o ICG foi de 1,85 ponto (-4,1%)”, aponta o relatório da Universidade Di Tella.

Não ocorre o mesmo em relação às faixas etárias, onde os jovens voltam a ser o pilar de apoio ao LLA, e a confiança cai muito no ramo dos adultos: “Diferentemente do reportado em março, o ICG de abril foi maior no segmento composto por pessoas entre 18 e 29 anos, como já havia sido em fevereiro e meses anteriores, com um valor de 2,27 pontos (+2,3%). No grupo de pessoas com mais de 50 anos, observa-se um declínio para 2,03 pontos (-11,4%). Por fim, no segmento entre 30 e 49 anos ocorre a contração mais acentuada, situando-se em 1,94 ponto (-16,7%)”.

O ICG também desmistifica que o interior seja o que mais apoia Milei: caiu igualmente tanto nesse núcleo quanto na Cidade de Buenos Aires (CABA) e no Grande Buenos Aires, embora tenha sido no conurbano onde mais diminuiu. E em relação aos níveis de instrução, foi o das pessoas com nível secundário que registrou a queda mais abrupta em comparação com universitários e com aqueles que têm apenas o ensino fundamental: 1,83 (-19,0%).

Há um único ponto que pode favorecer, ou não, o Governo: as pesquisas foram realizadas entre 6 e 17 de abril de 2026. Veremos em maio se revertem a queda abrupta.