28/04/2026 | Dos 27 meses de gestão Milei, apenas em 3 houve crescimento marginal do consumo das famílias. Exceto o comércio eletrônico, não há setor que escape da crise.
Por Leandro Renou
FONTE: Página 12

Nem na pior época da crise de Mauricio Macri os números do consumo foram tão ruins quanto os alcançados pelo governo de Javier Milei. Dos 27 meses em que está no poder, apenas em 3 o gasto das famílias em consumos básicos de supermercados e comércios de bairro cresceu marginalmente. Ou seja, o governo libertário completa dois anos inteiros com o consumo em queda Livre. Com um agravante: sequer supera números interanuais já muito ruins. 2026 cai em relação a 2025, 2025 faz o mesmo em relação a 2024 e 2024 perde para 2023.
Os dados constam do último relatório divulgado pela consultoria Scentia, ao qual o Página 12 teve acesso, que reportou em março uma queda de 5,1% interanual considerando todos os consumos juntos (supermercados, comércios de bairro, farmácias, atacados, comércio eletrônico e quiosques); enquanto, considerando apenas hipermercados e comércios de bairro, a queda foi de 5,1%.
Vale dizer que a Scentia, como muitas consultorias, começou a medir o consumo geral (misturando todos os setores) no mesmo momento em que outras consultorias, a pedido do governo, tentavam ver se diluindo os setores o número dava positivo. Isso ocorreu no início, mas há 3 meses essa “mistureba” de dados também vem caindo.
Excluindo abril de 2025 (+0,2), setembro e outubro do mesmo ano (+1,8 e +1,3, respectivamente), nos demais meses do governo Milei houve quedas interanuais muito fortes nas vendas em supermercados e comércios de bairro. Nos quatro anos de Macri, medidos pela mesma série da consultoria Scentia, houve apenas dois ou três meses com melhora no consumo, mas os números de queda nas vendas eram muito menos intensos do que com Milei. A coincidência é que boa parte da queda nas vendas do varejo se explica pela mesma razão: com Macri, os aumentos das tarifas de energia cortaram a possibilidade de um gasto extra. Com Milei, esses mesmos aumentos elevaram a estrutura de custos fixos das famílias a níveis insustentáveis. Além disso, neste período, os salários perdem poder de compra muito mais rápido do que com Macri.
Tudo junto também não soma
Quando se olha por setores, o relatório mostra uma queda de 7,1% nos grandes hipermercados; 5,1% nos comércios de bairro; uma queda de 4,5% nos quiosques e de 8,8% nos atacados. Apenas se salvam as farmácias, onde houve crescimento de 0,9%, e o comércio eletrônico, que aumentou 34,4%.
No caso dos supermercados e comércios de bairro, o dado mais forte é que já vinha de uma queda de 4,9% interanual em fevereiro, e em março caiu 6,1%. Ou seja, não se está comprando nem o mais básico.
Um dos dados chamativos do trabalho é que, no caso dos hipermercados, em março as vendas caíram em todos os setores e em níveis muito altos: 5,3% em Alimentação; 8,5% em Bebidas Alcoólicas; 10,4% em Bebidas Não Alcoólicas; 7,5% em Higiene e Limpeza; 6,3% em Lanches; e mais de 10% em Perecíveis. Nesse tipo de grande superfície comercial, nem mesmo as promoções especiais conseguem alavancar a demanda. Há comércios que oferecem até dois ou três dias semanais com descontos de 15% e 20% sem limite para compras com carteiras virtuais, e ainda assim o volume vendido não melhora, apenas cai mês após mês.
No caso dos comércios de bairro, apenas um setor subiu: Alimentos melhorou 1% interanual. O dado é alarmante, porque é um setor que, apenas com o crescimento populacional, já deveria impulsionar vendas maiores.
Atacados e comércio eletrônico
Por outro lado, no canal de vendas atacadistas, também há apenas um setor que cresceu interanual em março: Impulsivos (guloseimas vendidas ao lado dos caixas) melhorou 14,6%. Atribuem isso ao aumento da compra desses produtos devido ao início das aulas.
Da mesma forma, no comércio eletrônico, que não representa mais de 6% do consumo total de massa, as vendas foram muito boas em termos de crescimento percentual em relação ao ano passado. Com altas de até 44% em unidades no setor de Alimentos.
