16/04/2026 – Produtores impulsionam o abate de burros. Em meio à queda no consumo de carne bovina por causa do aumento dos preços, afirmam que esses cortes poderiam ser oferecidos a 7.500 pesos (R$ 28).
FONTE: Página 12

Da promessa feita em campanha eleitoral de reduzir nominalmente o valor da carne — na época, de 4.000 pesos o quilo para 2.800 pesos — já não resta nada. Os preços subiram tanto que hoje se tornou um luxo inacessível para milhões de pessoas. Só no último mês, os preços aumentaram mais de 10% nos balcões e o quilo de um corte médio pode ultrapassar os 25.000 pesos (R$ 92). Nesse cenário, a proposta de um produtor patagônico de vender carne de burro a $ 7.500 (R$ 28) o quilo ganhou espaço.
Nesse processo de fortes altas no preço da carne bovina, as pessoas mudaram seus hábitos. Primeiro, passaram a comprar menos quantidade. Depois, começaram a buscar outras alternativas: assim, o frango e a carne suína tiveram um crescimento exponencial nas vendas, embora também tenham aumentado de preço. Em seguida, veio a febre dos ovos, a proteína mais barata e rendosa, cujas vendas cresceram como nunca.
Mas agora, essa novela do horror ganhou um novo capítulo: em um país historicamente reconhecido pela produção de carne bovina, produtores estão impulsionando a venda de carne de burro para que as pessoas possam, pelo menos, ter acesso a um pedaço de carne nas refeições diárias.
Gonzalo Moreira, dono de um açougue na cidade de Buenos Aires, explicou à Rádio 750 como foi esse processo e por que, numa primeira instância, ele é a favor de que esse animal, que até então não era consumido no país, comece a ser abatido e vendido.
“Vivemos uma recessão importante. Não conheço nenhum comerciante que não esteja passando por dificuldades. O setor está sofrido, além de não termos uma grande variação de preço. Tudo é pago com cartão, vai empurrando com a barriga”, disse ao programa “Melhor que amanhã”, com Tomás Méndez.
Em seguida, afirmou: “E a comida também começa a ser paga parcelada. A gente vai reestruturando as vendas. As pessoas deixaram a carne, cuja compra caiu 20%, e migraram para o porco ou o frango. Um quilo de carne bovina custa entre 15 e 18 mil pesos (R$ 56 a R$ 66). E a carne suína fica entre 8 e 9 mil pesos (R$ 29,44 e R$ 33,10)”.
Agora, surgiu a ideia de vender “burros patagônicos”, cuja carne custa cerca de 7.500 pesos (R$ 28). “Se for para enfrentar a necessidade diária, não digo que seja o melhor… Mas há pessoas que podem pelo menos ter acesso a esse tipo de alimento”, afirmou.
Em seguida, ele disse: “Não concordo. Acho que não quero comer um burro. Estamos acostumados a comer vaca. Mas se eu tiver que levar para outro lado… Ninguém gosta de comer coelho, mas se come desde sempre”.
De onde surgiu a ideia de vender carne de burro?
Na prática, em meio à alta do preço da carne bovina, o produtor rural Julio Cittadini propôs começar a vender carne de burro com seu empreendimento “Burros Patagônicos” e já começou a realizar as primeiras transações.
Segundo contou o próprio Cittadini, ele esperava que o estoque levasse uma semana para se esgotar, mas não durou nem um dia e meio. “O que colocamos à venda, acabou em um dia. Em um dia e meio não sobrou nada”, contou.
A experiência, segundo ele revelou, conta com autorização do Ministério da Produção de Chubut e cumpre todas as normas bromatológicas exigidas. Não se trata de um mercado informal nem de uma raridade clandestina, mas de um projeto pecuário.
