Inflação de março foi de 3,4% e acumulou 9,4% no primeiro trimestre

14/04/2026 | A alta foi acelerada pelos aumentos das tarifas, o impacto do aumento dos preços no setor da educação e a alta da carne. A inflação anual, por sua vez, ficou em 32,6%. É o décimo mês consecutivo de alta.

FONTE: Tiempo argentino

Por Miguel Carrasco

O Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC) informou que a inflação de março foi de 3,4%, acumulando 9,4% no primeiro trimestre do ano. Enquanto isso, nos últimos 12 meses, a taxa foi de 32,6%.

Dessa forma, confirma-se a tendência de alta da inflação geral, já que nos últimos 10 meses o percentual foi igual ou superior ao do mês anterior.

Isso acontece apesar de o dólar estar estável, o que limita a influência dos saltos nos preços internacionais. A isso se chama de “ancoragem cambial”.

O dado elevado da inflação também ocorre apesar de as rendas perderem a corrida contra os preços. Essa “ancoragem salarial” implica que a demanda é fraca e não pressiona a oferta.

O presidente Javier Milei se manifestou a respeito nas redes sociais: “O dado não nos agrada, pois a inflação nos repugna. No entanto, há elementos concretos que nos permitem explicar o que aconteceu e, especialmente, esperar que no futuro a inflação retorne à sua trajetória decrescente”.

O ministro da Economia, Luis Caputo, também deu explicações em uma postagem na rede social X, na qual tentou explicar as causas do dado oficial. Basicamente, ele culpou a guerra no Oriente Médio e os sucessivos aumentos de tarifas que ele mesmo ordena e aplica em detrimento da renda da população. “No mês, registrou-se um impacto significativo da guerra no Oriente Médio, em linha com os efeitos observados em outros países. Da mesma forma, a economia continua passando por um processo de correção de preços relativos, o que se verificou principalmente nos preços dos serviços regulados e em Carnes e Derivados”, destacou Caputo.

Detalhes

Educação foi, no mês do início do ano letivo, o setor que mais aumentou segundo o relatório do Indec, com um salto de 12,1%, seguido por Transporte, que saltou 4,1% pressionado por aumentos de combustíveis e de passagens de ônibus e aéreos.

A lista continua com Habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis, que teve média de 3,7%; Recreação e cultura, com alta de 3,6%; e Restaurantes e hotéis, com 3,4%, mesma variação que Alimentos e bebidas não alcoólicas.

Este último foi o setor de maior impacto na variação mensal, impulsionado pelos aumentos nos cortes de carne bovina, que giraram em torno de 11%.

Abaixo da média ficaram Vestuário e calçados (3,1%); Comunicação (2,9%); Saúde (2,6%); Bebidas alcoólicas e tabaco (2,1%); Bens e serviços diversos (1,7%); e Equipamentos e manutenção doméstica (1,3%).

Os preços regulados, com 5,1% acelerados pelo ajuste constante dos serviços públicos, transporte e educação, voltaram a subir acima dos sazonais (1%). O dado preocupante foi que a inflação núcleo (subjacente) foi de 3,2%, indicando que o conjunto dos preços tende a subir, além dos aumentos de tarifas ou das oscilações dos sazonais.

Caputo tentou manipular esse número ao dizer que “A inflação subjacente, excluindo carnes, manteve-se em 2,5%, a mesma variação de fevereiro”. Mas a exclusão das carnes é completamente arbitrária. “Isso indica que, além de choques pontuais, o componente subjacente da inflação permaneceu estável”, concluiu.

Por sua vez, os serviços, com 4,2%, aumentaram mais do que os bens, que subiram 3%.

A inflação foi maior no Nordeste, com média de 4,1%. No Noroeste, a alta foi de 4%; na Grande Buenos Aires (CABA + Conurbano), 3,4%; na região pampeana, 3,3%; em Cuyo, 3,2%; e na Patagônia, 2,5%.

A inflação registrou em março seu décimo recorde consecutivo de alta. Em maio de 2025, o IPC foi de 1,5%, caindo consideravelmente após 2,8% no mês anterior. Mas a partir do quinto mês do ano passado, iniciou-se uma escalada ascendente que teve seu pico máximo nos 3,4% anunciados nesta terça-feira.

Para o CEPA, em abril a inflação pode moderar, como resultado da queda do câmbio, sem a sazonalidade do início das aulas e possivelmente livre do impacto da guerra, esgotado no IPC de março.

Essa suposição também se baseia no fato de que os preços no atacado da carne bovina e do frango caíram nos primeiros 10 dias de abril em relação ao mesmo período de março, o que sugere um menor impacto dos alimentos na média geral do mês em curso.

No entanto, os preços regulados continuam aumentando no que vai de abril, tanto nos serviços residenciais quanto nos planos de saúde/medicamentos, além do setor de Telecomunicações e do transporte público, que também estão subindo.