03/03/2026 │ Na noite de domingo, 1º de março, um Javier Milei ensandecido aproveitou o ato de início das sessões parlamentares para fazer um show bizarro no qual agrediu verbalmente a oposição, mirando na ex-presidenta Cristina Kirchner, e mentiu acerca de realizações inexistentes.
Por Fernando Balderacchi

1ª mentira: “Durante nossa gestão, não só o desemprego não aumentou, como isso aconteceu em um contexto onde aumentou a quantidade de pessoas que procuram trabalho”, afirmou Milei. Porém, desde que Milei assumiu a presidência, fecharam 21.938 empresas, o que equivale a 23 pequenas e médias empresas (PMEs) por dia. Em consequência, 290.600 trabalhadores foram demitidos.
2ª mentira: referente à política fiscal do governo atual. “Não só acreditamos que os impostos são um roubo, mas também que o ajuste tinha que ser feito pela política”. Contudo, o único imposto que foi reduzido é o sobre bens pessoais, assim como o que tributa embarcações e iates. “Reduziram impostos para quem tem dois barcos em Nordelta (bairro abastado de Buenos Aires)”, contrastando essa situação com o aumento de mais de 300% nos preços do transporte público e outros aumentos em serviços essenciais como combustível, eletricidade e gás.
3ª mentira: “Estamos reformando a educação infantil e fundamental para garantir os conhecimentos básicos de compreensão de leitura que as últimas décadas perderam”, indicou. No entanto, o corte de recursos destinados à educação e à cultura durante a administração de Milei foi de quase 80% das bolsas de estudo, 35% das universidades nacionais e 93% das escolas técnicas.
4ª mentira: é o aumento na mortalidade infantil. “A taxa de mortalidade infantil na Argentina subiu 0,5 pontos no governo de Milei“, um dado significativo, dado que a mortalidade infantil não aumentava no país desde 2002.
5ª Mentira: números salariais e do consumo. “Nós triplicamos o salário em dólares, poeta. O salário em dólares subiu”. Contudo, isso não representa uma melhora na qualidade de vida dos argentinos, uma vez que os preços da cesta básica e dos produtos da linha branca (geladeiras, fogões etc.) aumentaram muito mais em dólares. Assim, o consumo na Argentina é o mais baixo em 30 anos e a inadimplência familiar atingiu níveis recordes, com um endividamento das famílias de até 141% do salário mensal.
