06/03/2026 | 54,7% das empresas indicaram queda em suas vendas internas e uma em cada duas informou ter recorrido à redução de pessoal diante da menor produção.
FONTE: El Destape

Enquanto sobe o tom da discussão entre o Governo, com um Presidente que classifica os industriais como “privilegiados” (que recebem prebendas), e empresários que pedem que se afrouxe a corda no pescoço, a UIA (União Industrial Argentina) lançou um relatório especial com dados contundentes: 54,7% das empresas indicaram queda em suas vendas internas, enquanto apenas 13,3% reportaram aumentos. Em janeiro, 22,2% das empresas registraram quedas em seu quadro de funcionários; uma em cada duas informou ter recorrido à redução de pessoal diante da menor produção, enquanto as maiores dificuldades ocorreram no pagamento de impostos e fornecedores (33,2% e 31,9%, respectivamente).
O documento destaca que 45,6% das empresas reportaram dificuldades para arcar com pelo menos um dos seguintes pagamentos: salários, fornecedores, compromissos financeiros, serviços públicos ou impostos. Desde o ano passado, registra-se uma tendência crescente na proporção de firmas com problemas de cumprimento. O percentual de empresas com atrasos em todos os pagamentos foi de 5,4%.
Entre as principais consequências, destacaram-se maiores juros e custos financeiros (39,8%) e o aumento do endividamento ou a necessidade de financiamento no curto prazo (38,1%).
Os dados detalhados
O novo levantamento da UIA voltou a situar a atividade fabril abaixo do limiar de expansão e reforçou um cenário que se repete há mais de um ano. O Monitor de Desempenho Industrial, o indicador que antecipa a evolução do setor, marcou 36,5 pontos em janeiro de 2026, com uma queda de 7,5 pontos percentuais em relação ao levantamento anterior e com quinze medições consecutivas em zona de contração.

O levantamento mostrou uma predominância de resultados negativos nas principais variáveis que a entidade levanta. 53,3% das empresas pesquisadas afirmaram que seu nível de produção caiu em comparação com a média do quarto trimestre do ano passado. No outro extremo, apenas 13% registraram aumentos, o que levou o índice de difusão da produção a -40,3 pontos percentuais.
A dinâmica foi semelhante nas vendas internas. 54,7% das empresas reportaram quedas, enquanto 13,3% informaram altas. Com esses valores, o índice de difusão ficou em -41,4 pontos percentuais, o terceiro valor mais baixo da série elaborada pela entidade.

Nas exportações, o comportamento foi menos pronunciado, embora também negativo. 30% das empresas informaram uma redução e 14,3% um incremento, o que resultou num índice de difusão de -15,6 pontos percentuais.
O levantamento da UIA também mostrou uma deterioração no mercado de trabalho industrial. Segundo os dados do monitor, 22,2% das empresas registraram quedas no seu nível de emprego durante janeiro. Dentro desse grupo, metade das companhias informou que recorreu à redução de pessoal diante da menor atividade. Outras estratégias incluíram redução de turnos de trabalho (41,4%) e suspensões de funcionários (22,9%).
As maiores complicações se concentraram em impostos (33,2%) e fornecedores (31,9%), enquanto 5,4% das empresas reportaram atrasos em todos os pagamentos pesquisados. Entre as consequências desses atrasos, as companhias sinalizaram maiores custos financeiros com juros (39,8%) e aumento do endividamento ou necessidade de financiamento de curto prazo (38,1%).
Segundo a UIA, as micro e pequenas empresas mostraram um desempenho mais desfavorável em produção e vendas do que as médias e grandes. Em produção, o índice de difusão foi de -43,3 pontos percentuais para micro e pequenas empresas, contra -34,8 pontos nas médias e grandes. Nas vendas internas, a brecha também se ampliou: -46,5 pontos contra -30,8 pontos. No emprego, por outro lado, o impacto foi maior entre as firmas de maior porte. As médias e grandes registraram um índice de -18,5 pontos, contra -13,3 pontos nas PMEs.
