Fábrica de pneus FATE fechou: 920 funcionários demitidos

18/02/2026 │ A fábrica de pneus FATE anunciou o fechamento definitivo de sua planta em San Fernando e a demissão de 920 trabalhadores. O sindicato denuncia demissões ilegais e responsabiliza o Governo por incentivar a abertura de importações, enquanto as autoridades atribuíram a decisão à crítica situação do mercado.

FONTE: Política Argentina

A histórica planta de pneus FATE, na cidade de San Fernando, anunciou o fechamento definitivo de suas portas e deixou um saldo de 920 operários demitidos. Após tomar conhecimento da decisão, o Sindicato Único dos Trabalhadores do Pneumático Argentino (SUTNA) exige a reabertura imediata ao alertar que a decisão empresarial, comunicada com um cartaz nos portões, ocorreu em meio a uma onda de pneus importados que ingressaram no país.

“Estamos dentro da fábrica nos manifestando e reclamando a abertura da empresa porque, de repente e de forma totalmente ilegal, acaba de fechar as portas com um cartaz uma fábrica emblemática como a FATE”, afirmou o secretário-geral do sindicato, Alejandro Crespo, que também destacou que existia uma cláusula de não demissão vigente até 30 de junho.

A companhia, propriedade da família Madanes Quintanilla, informou que encerra as atividades em seu estabelecimento industrial de Virreyes e que procederá à extinção de todos os contratos de trabalho, com o pagamento das indenizações correspondentes dentro dos prazos legais. No comunicado, atribuiu a medida às “mudanças nas condições de mercado”.

O impacto atinge em cheio a estrutura produtiva da região metropolitana de Buenos Aires: mais de 700 famílias são afetadas diretamente, segundo relataram os próprios trabalhadores, vários dos quais souberam da decisão quando já se dirigiam para cumprir seu turno habitual.

Em sua mensagem oficial, o conselho diretor sustentou que, por mais de oito décadas, a empresa construiu liderança industrial “baseada no emprego qualificado, no investimento permanente, no desenvolvimento tecnológico e num compromisso com a qualidade”, e afirmou ter realizado “os maiores esforços possíveis para evitar” o desfecho, que afeta, ao menos, 700 famílias.

Entre os fatores que cercam a decisão aparecem o incremento das importações, especialmente de origem chinesa, a queda da atividade e os custos locais de produção, num cenário atravessado pela recente reforma trabalhista, que o sindicato vincula a um endurecimento das condições para os trabalhadores.

O conflito permanece aberto, com operários concentrados nas imediações da planta e uma forte presença policial, enquanto o sindicato antecipa medidas de força e reclama que se reverta uma determinação que redefine o mapa da indústria de pneumáticos na Argentina.