18/02/2026 │ Com o transporte totalmente paralisado e o fechamento da Fate ainda fresco na memória, a CGT lidera nesta quinta-feira uma greve nacional para frear uma reforma que liquida direitos históricos. Enquanto a indústria se desmorona, o governo responde com um megaoperativo repressivo e grades no Congresso.
FONTE: Tiempo argentino

Em um cenário de asfixia econômica e demissões em massa, a Argentina viverá nesta quinta-feira uma jornada de paralisação total. A Confederação Geral do Trabalho (CGT) concretizará sua quarta greve geral contra a gestão de Javier Milei, em um confronto direto contra o projeto de reforma trabalhista escravista que o Executivo pretende impor na Câmara dos Deputados. Com a adesão total do transporte público — incluindo UTA, grêmio dos motoristas de ónibus —, a greve promete deixar as ruas vazias e as portas fechadas “de ponta a ponta”, como advertiu o dirigente Jorge Sola, na sede da CGT.
No entanto, o clima da jornada não será apenas de “braços cruzados”. À medida da central sindical somam-se as CTA (Confederações dos Trabalhadores Argentinos), sindicatos combativos como a UOM (metalúrgicos) e os ‘Aceiteiros’ (da indústria do óleo), e movimentos sociais que marcharão ao Congresso para repudiar uma lei de “clara inconstitucionalidade” que busca desfinanciar a seguridade social e precarizar o emprego formal. “Não se pode tratar em instâncias extraordinárias um tema de 200 artigos concedendo-nos apenas 5 minutos para os sindicatos”, denunciou Hugo “Cachorro” Godoy, da CTA Autônoma, assinalando a falta de debate democrático imposta pela Casa Rosada.

Repressão e crise industrial
Enquanto o presidente está nos Estados Unidos para se juntar ao “Conselho da Paz” de Donald Trump, na Argentina a realidade é a de um cemitério industrial. O recente anúncio do fechamento definitivo da fábrica de pneus Fate, de 80 anos de antiguidade, que deixa quase mil trabalhadores sem emprego, foi o pano de fundo de uma mobilização de aposentados que nesta quarta-feira já enfrentou uma desmedida operação de segurança.
Para blindar a sessão de quinta-feira, a sucessora de Patricia Bullrich, Alejandra Monteoliva, já dispôs um esquema “blindado” nas imediações do Congresso: caminhões-hidrantes, barreiras e a intimidadora presença de forças federais para conter o descontentamento social.
A CGT já adiantou que, caso se converta em lei, o caminho seguirá nos tribunais. Com 400 empregos com carteira assinada perdidos por dia e 21 mil pequenas e médias empresas fechadas no que vai do ciclo libertário, o sindicalismo endurece sua postura. “Não entreguem a dignidade do povo”, foi a mensagem aos deputados que nesta quinta-feira deverão decidir se acompanham a entrega de direitos ou escutam o estrondo de um país que, pela quarta vez, para para dizer basta.
