26/01/2025 │A chegada de uma aeronave do Departamento de Defesa dos Estados Unidos ocorreu dias após a decisão do governo nacional sobre o porto de Terra do Fogo e reacendeu questionamentos sobre o crescente alinhamento com Washington.
FONTE: Política Argentina

Um avião oficial do Departamento de Defesa dos Estados Unidos pousou neste domingo em Ushuaia, poucos dias após o governo nacional determinar a intervenção do porto local – uma coincidência temporal que colocou novamente a capital da província argentina de Tierra Del Fuego no centro da atenção política e geoestratégica.
Segundo confirmou a embaixada estadunidense, a aeronave transportou uma comitiva bipartidária de congressistas integrantes da Comissão de Energia e Comércio, que visitam o país para reuniões com “funcionários governamentais e atores-chave”, sem que uma agenda detalhada tenha sido divulgada publicamente.
A representação diplomática informou que os encontros previstos incluem temas relacionados a “a degradação de ambientes naturais, a tramitação de permissões para gestão de minas e resíduos, o processamento de minerais críticos, a pesquisa em saúde pública e a segurança médica” – áreas consideradas sensíveis na agenda estratégica dos Estados Unidos.
A chegada do avião ocorreu após um trajeto que começou na Base Conjunta Andrews, em Maryland – instalação de alta segurança associada ao avião presidencial Air Force One –, com escalas posteriores em San Juan e no Aeroparque de Buenos Aires, antes de chegar a Ushuaia, onde permanece em uma plataforma auxiliar do aeroporto.
A presença de uma aeronave militar norte-americana voltou a despertar desconfianças na província, especialmente por ocorrer após a intervenção do porto provincial determinada pelo governo Milei – medida interpretada por setores da oposição como um gesto político em direção a Washington e, em particular, ao Comando Sul.
Nesse contexto, diferentes vozes destacaram que a intervenção portuária ocorreu no mesmo dia em que a Argentina formalizou sua entrada no Conselho de Paz, impulsionado por Donald Trump e apresentado no Fórum de Davos. Isso alimentou a hipótese de que o controle do porto teria sido parte de uma negociação para obter um lugar permanente nesse âmbito e evitar o pagamento do bilhão de dólares que o ex-presidente norte-americano exige para participar da iniciativa.
O antecedente imediato de visitas de alto nível dos EUA a Ushuaia inclui as viagens dos chefes do Comando Sul, Laura Richardson e Alvin Holsey, que supervisionaram o avanço da base naval integrada em construção na cidade – projeto que já havia gerado tensões com o governo provincial e reavivado o debate sobre o alcance do vínculo estratégico entre o governo de Javier Milei e os Estados Unidos.
