Alerta por aumento de 15% na carne; quilo pode superar 20 mil pesos

04/11/2025 | Após vários meses de calma, a carne voltou a registrar aumento em novembro. Quais são os motivos do aumento de um dos alimentos preferidos na mesa dos argentinos.

Por Rodrigo Núñez

FONTE: El Destape

O preço da carne pode aumentar até 15% nos próximos dias devido à alta no valor do gado em pé. Entre as condições climáticas, a especulação prévia às festas de fim de ano e as mudanças que preparam o aumento das exportações para os Estados Unidos, os cortes vendidos no balcão estarão cada vez mais distantes do bolso do consumidor.

Após vários meses de calma, a carne voltou a registrar aumento em novembro. Segundo dados do Indec, em setembro, o preço do produto havia subido menos que a inflação pelo quarto mês consecutivo, mas essa tendência mudou. Os produtores afirmam que, durante os últimos meses, houve uma baixa circunstancial dos custos e uma queda no consumo que freou os aumentos. No entanto, o presidente da Câmara da Indústria e Comércio de Carnes e Derivados (Ciccra), Miguel Schiaritti, disse ao El Destape: “Houve aumentos de preço no gado” e “É possível que volte a aumentar por falta de gado”.

O dirigente empresarial previu que o aumento pode chegar a entre 10% e 15%.

Em entrevista à rádio El Destape 1070, o dono do açougue Chalín, Hugo Chalín, alertou para o dramático momento que o setor atravessa: “O argentino não se importa com o fato de os aposentados não poderem comer carne, e os aumentos da carne não são de 3%, são de pelo menos 20%“.

“Se o Governo continuar assim, será inalcançável comer um quilo de carne. Tem que haver um plano para que o custo da carne não seja tão exagerado”, exigiu Chalín. Segundo o que ele observa no dia a dia, “a gente vem comprar 2 mil pesos de carne”, e alertou que o nível de consumo atual “está pior que o de 2001”.

Efeito Estados Unidos

A indústria frigorífica está muito otimista com o anúncio da potencial ampliação da cota de carne para os Estados Unidos, mas o setor também soou o alarme sobre os problemas que o mercado interno pode enfrentar por não conseguir abastecer a demanda.

A expectativa é que a cota anual, que até agora era de 20.000 toneladas, seja multiplicada por quatro, alcançando 80.000 toneladas. Apesar de a ampliação ser uma “excelente notícia” para a indústria e a produção, há preocupação com o fato de a Argentina não estar “muito preparada” para essa demanda crescente. Existe uma profunda preocupação na cadeia de valor com a falta de gado, especialmente o abate de vacas, que atingiu um alarmante 47% em setembro.