03/10/2025 | Os aumentos de até 300% nas passagens de metrô, trem e ônibus atingiram em cheio o bolso dos trabalhadores. Cada vez menos pessoas podem custear a viagem diária ao trabalho, enquanto os salários permanecem estagnados e o governo prepara novos reajustes.
Por Eugenia Rodríguez
FONTE: El Destape

Está cada vez mais difícil ir trabalhar ou sair para buscar uma fonte de renda. É o que demonstram números recentes que evidenciaram o peso do transporte na renda e suas consequências concretas na vida familiar: enquanto as passagens de ônibus, trem e metrô sofreram aumentos exorbitantes (entre 200 e 400%), a quantidade de passageiros recuou a ponto de o uso dos três meios de transporte públicos ficar abaixo dos níveis de 2024 e de 2023.
A política de preços do governo de Javier Milei modificou a estrutura de preços relativos e deu lugar a um panorama em que as despesas fixas têm peso cada vez maior no orçamento familiar. De acordo com um informe do Instituto Argentina Grande (IAG), a passagem de metrô escalou, em termos reais, 300%, a de trem 284% e a de ônibus 150%, mais do que dobrando em relação aos salários. Como resultado, a quantidade de viagens nos últimos dois anos contraiu-se entre 12 e 18%.
Paralelamente, o ritmo da velocidade dos acordos de negociação coletiva salarial caiu ao nível mais baixo de, pelo menos, os últimos cinco anos e, de acordo com o último dado salarial do INDEC, o setor privado segue sem se recuperar e mantém-se estagnado nos níveis de finais de 2023, enquanto o setor público nacional perdeu mais de 30% do poder de compra.
Tudo isso ocorre no marco de um programa econômico que produziu uma Argentina fragmentada, em que convivem o aumento do consumo de bens duráveis (carros, motos, imóveis) com a queda do consumo de não duráveis (alimentos e medicamentos) e em que quase a metade das compras em supermercados é feita com cartão de crédito, enquanto o índice de inadimplência do crédito para famílias situou-se em 6,6%, um número recorde desde 2008.
Matéria completa em: El Destape
