27/10/2025 | Em junho, a quantidade de pessoas endividadas aumentou em um milhão, chegando a 19,5 milhões, e o saldo médio por devedor é o maior dos últimos cinco anos, segundo um informe do BCRA.
Por Cristian Carrillo
FONTE: El destape

A queda na renda das famílias provocou um forte crescimento do endividamento, tanto por meio de cartões de crédito quanto com carteiras virtuais, que utilizam diferentes instrumentos para suprir a falta de dinheiro com créditos massivos para o pagamento de gastos correntes. A compra de alimentos ou artigos de primeira necessidade por meio de cartões de crédito e empréstimos digitais, diante de um salário que não é suficiente, levou a que mais da metade dos argentinos adultos esteja atualmente endividada. “A expansão do crédito para pessoas físicas continuou marcada pela incorporação sustentada de novos devedores e um uso crescente do financiamento. Em junho de 2025, 19,5 milhões de pessoas registravam crédito no sistema financeiro ampliado, o que representou um aumento líquido de um milhão de devedores em relação a dezembro de 2024. Além disso, o saldo médio por devedor cresceu 19% em termos reais, alcançando seu nível mais alto dos últimos cinco anos”, destacou o último informe do Banco Central sobre inclusão financeira.
De acordo com o balanço do sistema divulgado pelo BCRA, 52,6% da população está endividada com entidades financeiras ou fornecedores não financeiros de crédito. No primeiro semestre do ano, registram-se dois claros fenômenos: a incorporação sustentada de novos devedores e um uso crescente do crédito. Isto se reflete no aumento do saldo médio por devedor e no fato de que uma porção significativa de devedores aumentou seu financiamento em termos reais. Ambas as tendências se verificam tanto para entidades financeiras quanto para fornecedores não financeiros de crédito. “Durante o primeiro semestre do ano, a quantidade de pessoas com financiamento cresceu 5% para entidades financeiras e 11% por cento para fornecedores não financeiros, enquanto os saldos médios por devedor aumentaram 37% e 28%, respectivamente”, destacou o informe.
Entram mais e saem menos
Sem capacidade de arcar sequer com as despesas correntes, a possibilidade de saldar os compromissos pré-existentes é quase nula. No primeiro semestre, ingressaram 2,2 milhões de novos devedores no mercado de crédito. Mais da metade (51 por cento) acessou apenas financiamento de fornecedores não financeiros, 41 por cento o fez somente por meio de entidades financeiras e 8 por cento combinou ambos os tipos de fornecedores. “A análise de períodos anteriores mostra que a entrada de novos indivíduos no crédito formal foi mais canalizada através dos fornecedores não financeiros – como são as carteiras virtuais – do que do sistema financeiro tradicional”, detalhou o informe sobre inclusão financeira.
Os fornecedores de crédito não financeiros se caracterizam por oferecer créditos de menor valor com requisitos mais flexíveis, embora com taxas de juros mais elevadas que as das entidades financeiras. É por isso que, com uma população que atua em maior porcentagem na atividade informal, cresce o financiamento não bancário. Muitos desses fornecedores operam de maneira exclusivamente virtual, o que facilita tanto a solicitação quanto a gestão e a concessão do crédito, ao mesmo tempo que reduz barreiras de entrada para os solicitantes (como a localização geográfica). Isto os converte em uma porta de entrada para o crédito formal, apesar das condições financeiras menos favoráveis.
