24/03/2025│49 anos após o golpe cívico-militar, milhares de pessoas participaram das mobilizações pelo aniversário do golpe na Argentina e em defesa da Memória, da Verdade e da Justiça. Organizações de direitos humanos gritaram “basta de negacionismo e apologia do genocídio!”
Por Martin Bosch
FONTE: Tiempo argentino

Diante do avanço do negacionismo estatal, a sociedade argentina saiu em massa para defender a bandeira da memória, da verdade e da justiça que se sustenta desde o retorno da democracia e que o governo de Javier Milei coloca em risco.
Uma Praça de Maio lotada acompanhou as Mães e Avós da Praça de Maio, sobreviventes e familiares, e gritou pelos “30 mil detidos desaparecidos, agora e sempre”, como única resposta às provocações do Executivo na segunda-feira, que questionou o número de vítimas do terrorismo de Estado.

Pela primeira vez desde 2006, as organizações de direitos humanos realizaram uma marcha única e um evento conjunto em frente à Casa Rosada, naquela que se acredita ser a maior manifestação de 24 de Março desde o regresso da democracia. Muitas famílias e indivíduos reuniram-se 49 anos após o golpe cívico-militar. Além disso, organizações sociais, políticas, estudantis e sindicais encheram as avenidas. Como também aconteceu no ano passado, as principais centrais de trabalhadores, CGT (Confederação Feral do Trabalho) e as duas CTAs (Confederações dos Trabalhadores da Argentina), participaram institucionalmente da marcha.
No palco estavam apenas Mães e Avós acompanhando quem leu o documento acordado: Estela de Carlotto, dirigente das Avós da Praça de Maio, Taty Almeida e Elia Espen, da Madres Línea Fundadora, e o ganhador do Prêmio Nobel da Paz, Adolfo Pérez Esquivel.
“Temos a força da história do nosso povo e é por isso que Milei e (vicepresidente Victoria) Villarruel pretendem negar o genocídio e desmantelar as conquistas em termos de Memória, Verdade e Justiça. Basta de negacionismo e apologia ao genocídio perpetrado pelo governo nacional, armado e orquestrado por (Victoria) Villarruel!”.

A dirigente das Madres Línea Fundadora denunciou ainda “o esvaziamento e desmantelamento da Secretaria de Direitos Humanos da Nação e dos sítios de memória e da Comissão Nacional do Direito à Identidade e o assédio e precariedade do Banco Nacional de Dados Genéticos”, e exigiu a “preservação dos Espaços de Memória e o cuidado das provas materiais da repressão”.
Matéria completa em: Tiempo argentino
