Cristina Kirchner assumiu a presidência da PJ com críticas a Milei e a proposta de “um modelo que incorpore as grandes maiorias”

12/12/2024│A ex-presidenta argentina assumiu a direção do Partido Nacional Justicialista e questionou a política econômica de Javier Milei, os anúncios feitos por ele ontem e referiu-se à construção de “um projeto nacional para mudar as coisas”.

FONTE: Política argentina

Na Universidade Metropolitana de Educação e Trabalho (UMET), Cristina Kirchner assumiu nesta quarta-feira a presidência do Partido Nacional Justicialista com críticas a Javier Milei e a proposta de “um modelo que incorpore as grandes maiorias”. “Está chegando uma Argentina muito complexa e difícil e é isso que deve nos comprometer mais para poder mudar as coisas e gerar um projeto nacional, um modelo que incorpore as grandes maiorias quando isso finalmente acabar”, disse a nova presidente do PJ.

Nesse sentido, criticou Milei: “Esse homem não entende o mundo em que vive, está na Disney, numa festa de aniversário, assistindo Rocky. Nós, argentinos, não merecemos isso, merecemos algo melhor”.

A ex-presidenta explicou que o que o Governo Milei está a fazer “é a mesma coisa que vem sendo feita há muito tempo, como se houvesse ciclos de desapropriação e apropriação e depois surgisse um governo popular para colocar as coisas no seu lugar“.

“O que a Argentina vive hoje é mais antigo que o sol: é um modelo de valorização financeira. É uma doutrina muito antiga”, aprofundou.

Nessa linha, criticou a abordagem do presidente em relação à rentabilidade do investimento: “Quem vai investir numa fábrica, num negócio, em qualquer coisa que dê trabalho se tiver um sistema que oferece 50% de rentabilidade em dólares”.

Sobre o discurso de Milei em rede nacional, ela garantiu que “ [Milei] esteve desconectado da realidade e muito repetitivo”. “Ouvi ele falar em salário em dólar, mas parece que ele esquece quanto custa hoje a cesta básica em dólar”, disse CFK.

Por sua vez, referiu-se à política internacional de Milei, que ontem disse em rede nacional que o mundo volta a olhar para a Argentina. “Ele mencionou um acordo de livre comércio com os Estados Unidos. Alguém lhe disse que não somos complementares aos Estados Unidos, mas competitivos? Há infantilidade e tietagem nesta gestão”, observou.

E concluiu: “Ele é fascinado por Elon Musk porque tem a rede X, mas Elon Musk é um industrial americano com tecnologia de ponta e tem um projeto industrial, exatamente tudo o que Milei nega”.

Por fim, falou sobre “cinco tarefas fundamentais” que o partido peronista deve cumprir. “Devemos formar quadros políticos e técnicos, informar, planejar, divulgar e organizar. Em março, vamos apresentar uma proposta de trabalho porque precisamos formar e informar a sociedade porque grande parte das coisas que acontecem se deve a uma carência profunda de conhecimento dos mecanismos e de como funcionam em detrimento da grande maioria”, afirmou.