7 em cada 10 argentinos fizeram cortes na alimentação

13/12/2024 │57% das famílias que frequentam refeitórios comunitários ou escolares afirmam ter encontrado menos comida. Conforme relatório elaborado pelo Centro de Estudos Jurídicos e Sociais.

FONTE: Política argentina

7 em cada 10 argentinos fizeram cortes na alimentação no último ano, segundo relatório elaborado na quinta-feira [12] pelo Centro de Estudos Legais e Sociais (CELS) e pela deputada Mónica Macha de Unión por la Patria. Sob o título “A cozinha do cuidado”, a pesquisa aborda a situação atual em termos de cuidado, alimentação, tempo dedicado às tarefas domésticas e cuidado dos filhos.

O relatório, elaborado através de uma pesquisa telefônica nacional entre 30 de agosto e 20 de setembro, mostrou:

– 65% das famílias na Argentina fizeram cortes na alimentação no último ano.

Nos lares com bebês, 67% das famílias afirmaram ter mais dificuldade em conseguir vagas em espaços de cuidados e creches.

– 57% das famílias que frequentam refeitórios comunitários ou escolares afirmam ter encontrado menos comida.

As mulheres (74%) muito mais do que os homens (57%) percebem que a sua situação doméstica piorou e tiveram que ajustar a alimentação própria e do entorno familiar.

6 em cada 10 mulheres sobrecarregaram o tempo destinado ao cuidado dos idosos e das crianças em casa.

3 em cada 10 homens fizeram o mesmo. Em maior medida, são as mulheres (43% contra 29% dos homens) que notam os aumentos e a redução dos espaços para cuidados.

Dez meses após a posse do governo de Javier Milei, as políticas de ajuste do Estado estão a aprofundar-se. Juntamente com as medidas macroeconômicas de desvalorização do peso argentino, aumento dos preços e desregulamentação tarifária, os cortes nas políticas públicas fizeram com que a pobreza na Argentina subisse para 52,9% da população hoje. Um cenário semelhante ao do pós-crise de 2001”, afirmou o CELS no relatório.

Por sua vez, a deputada Macha afirmou que a construção de sacrifício que Milei traz é semelhante ao conceito de meritocracia promovido por Mauricio Macri e destacou que o que faz é “colocar o olhar sobre o assunto em termos individuais e onde está a ideia de que uma pessoa só pode se desenvolver em sua vida por meio de questões pessoais”. “Acreditamos que uma sociedade se constrói coletivamente, com distribuição de riquezas e gozo de direitos, essa é a política sobre a sociedade que queremos construir e continuar insistindo na agenda do cuidado e nas leis de que precisamos” acrescentou.