Lula ainda não leu a carta que Milei lhe enviou: “Não sei o que diz”

24/04/2024│O presidente brasileiro explicou que o seu ministro das Relações Exteriores, Mauro Vieira, recebeu a carta da Argentina, mas viajou e por isso ainda não conseguiu lê-la. Além disso, mirou na “extrema direita” e convocou uma reunião de “presidentes democráticos”.

FONTE: Política argentina

O presidente Javier Milei, ainda terá que esperar para se reunir com Luiz Inácio Lula da Silva. Segundo disse o presidente brasileiro, ainda não teve oportunidade de ler a carta que lhe foi enviada através da chanceler, Diana Mondino, na qual solicitava uma reunião.

“Não sei o que diz, então não posso responder”, expressou Lula no Planalto à imprensa: “Sei que meu chanceler recebeu uma carta do presidente Milei, mas acontece que ele viajou e eu ainda não vi a carta”, em resposta a uma pergunta de um jornalista que classificou o presidente argentino como parte do grupo de líderes internacionais de “extrema direita”. Embora tenha admitido não saber o que “Milei diz na carta”, disse que assim que o fizer tem interesse que “a imprensa saiba o que a Argentina pretende e o que quer discutir com o Brasil”.

A carta foi entregue na semana passada durante a primeira visita oficial que a chanceler argentina, Mondino, realizou a Mauro Vieira, numa tentativa de arrefecer a tensa relação entre os dirigentes que estão à frente dos dois maiores parceiros comerciais do Mercosul. Vale lembrar que antes de assumir o cargo, Milei descreveu o presidente do Brasil como um “comunista” e afirmou que não teria qualquer relação com esse tipo de país.

Segundo reportagens do jornal Folha de São Paulo, a carta enviada por Milei a Lula continha uma saudação e expressava o interesse do governo argentino em manter um relacionamento bilateral sólido. Não se trata de um pedido formal de audiência, o que exigiria a viagem de Milei a Brasília, mas sim para finalizar um intercâmbio que ainda não tem data ou local definido, a ideia seria “gerar um encontro em um fórum internacional” como o G20, que acontecerá no Brasil; ou uma reunião do Mercosul.

Neste contexto, Lula criticou a extrema direita e apelou à organização dos “setores democráticos”. “O meu compromisso é com a esquerda, com um Estado socialmente justo”, observou.

“Se você pegar América do Sul hoje, você percebe que houve um retrocesso exatamente pelo crescimento da extrema-direita, pelo crescimento da xenofobia, pelo crescimento do racismo, da perseguição a minorias, a pauta de costumes muitas vezes com assuntos retrógrados. Isso ganhou corpo e, por isso, o Brasil tem destaque”, lamentou.

Nesse sentido, disse que conversou com os seus homólogos de Espanha e França, Pedro Sánchez e Emmanuel Macron, para realizar um encontro com o que chamou de “presidentes democráticos” que, previu, poderá acontecer na Assembleia Geral das Nações Unidas.