Houve mobilizações populares em diferentes cidades da periferia de Buenos Aires e em outras províncias argentinas. Uma multidão se concentrou na cidade de Buenos Aires às portas da residência de Cristina Kirchner.
FONTE: Tiempo Argentino

Por: Jorgelina Naveiro
Antes de partir para a Recoleta [bairro em que mora CFK], Axel Kicillof, governador da província de Buenos Aires, aderiu espontaneamente ontem ao movimento que os militantes da Frente de Todos organizaram na Praça Belgrano de La Plata em apoio a Cristina Kirchner. O governador garantiu que “fazem tudo isto para tirar os direitos das pessoas” e convocou os presentes a marcharem até à Cidade Autónoma de Buenos Aires (CABA) “para defender Cristina porque ela defende o povo”.
A mobilização de La Plata foi organizada, como em várias partes do país, sob o lema “Todo mundo com Cristina” [#TodosConCristina] e começou depois das 15h com a realização de uma rádio aberta. A cerca estabelecida pelo governo da cidade de Buenos Aires [em volta da residência de Cristina Kirchner] mudou parte dos planos, e a praça das ruas 13 e 40 [da cidade de La Plata] tornou-se o ponto de concentração de onde Kicillof, parte de seu gabinete, legisladores e funcionários saíram em caravana para a CABA.
Ao chegar à praça, Kicillof conversou com o povo de La Plata que ali se manifestava, repudiou a cerca montada pelo prefeito de Buenos Aires Horacio Rodríguez Larreta e o pedido de 12 anos de prisão feito pela promotoria no caso Vialidad, e reiterou: “o que procuram é banir Cristina e o peronismo”.
“Acho que eles estão errados novamente, novamente eles não a viram chegar como não a viram quando durante o macrismo chamaram Cristina [aos tribunais da rua] Comodoro Py e pensaram que ela ficaria sozinha e indefesa e havia centenas de milhares de companheiros e companheiros para acompanhá-la”, lembrou Kicillof em relação à apresentação da ex-presidenta naqueles tribunais federais em abril de 2016, que terminou com um ato massivo.
O governador de Buenos Aires também considerou que o processo judicial contra a vice-presidenta “não é apenas para perseguir os líderes do campo nacional e popular” e assegurou que faz parte de um método que a justiça e a oposição têm há anos.
“É hora de refletir sobre esse método que eles têm e tem tido desde 2015 desses falsos julgamentos acompanhados de capas e capas de jornais, de políticos da nossa oposição que também participam de cada uma dessas operações. Tem que ficar claro que o lawfare tem o objetivo de dar impunidade absoluta a quem historicamente lucrou com o Estado e tomou tudo, por isso persegue quem luta e defende os interesses do povo”, afirmou.
Na mesma linha, Kicillof assegurou que o governo de Buenos Aires “sitiou a casa de Cristina Kirchner” e considerou que se trata de “mais uma provocação absolutamente desproporcional e desesperada porque não sabe o que fazer com o povo quando ganha a rua”.
Já no final, ele convocou a militância a marchar em caravana até a casa da ex-presidenta. “Fazem tudo isto para tirar os direitos das pessoas e é isso que não temos de permitir, fazem tudo isto para desacreditar, para sujar, mas hoje vim convocá-los para irem onde a Cristina está cercada pela Polícia. Quem puder, e como puder, nos vemos na Cidade de Buenos Aires”, disse e encerrou: “E que fique claro: vamos defender Cristina porque Cristina defende o povo”.
As mobilizações populares a favor de Cristina Kirchner se repetiram em outras partes da província de Buenos Aires e outras províncias do país, como La Pampa, Misiones, La Rioja, San Luis, Tierra del Fuego, Neuquén e Catamarca.
Em Avellaneda, a militância se concentrou na Plaza Alsina liderada pelo prefeito Alejo Chornobroff, que postou: “Uma cidade nunca esquece aqueles que a fizeram feliz e por isso apoiam CFK”. Em Mar del Plata, o ato foi realizado pela manhã na Plaza de la Revolución de Mayo, onde a diretora da Administração Nacional da Previdência Social (Anses) e principal referente da Frente de Todos, Fernanda Raverta, destacou que “defender Cristina é defender a democracia” e “defender a democracia é defender Cristina”. Em Bahía Blanca, líderes e vizinhos manifestaram-se ao meio-dia na Plaza Rivadavia, em frente ao Palácio dos Tribunais. Enquanto isso, em distritos suburbanos como San Martín, Hurlingham e Lomas de Zamora, foram suspendidos os atos e decidiram marchar diretamente para a CABA.
