Alberto Fernández almoça com Sullivan, o mais alto funcionário da Casa Blanca a visitar a Argentina desde o triunfo de Biden

O atual Assessor de Segurança do governo democrata Biden se encontra com o presidente argentino em um almoço que tratará uma ampla agenda. Além da situação financeira do país com o FMI, falarão sobre o papel da China, a situação nas democracias de vários países da região e como aumentar a agenda comercial entre Washington e Buenos Aires.

FONTE: Política Argentina

Alberto Fernández terá a reunião de mais alto nível com um funcionário do governo, Joe Biden, quando almoçar com o atual assessor de segurança da Casa Branca, Jake Sullivan. A agenda terá diversos eixos, principalmente aqueles que os Estados Unidos estão observando na América Latina.

Sullivan chegará hoje a Olivos com Juan González, diretor para o Hemisfério Ocidental da Casa Branca. Ricardo Zúñiga, enviado especial para o Triângulo Norte (Salvador, Guatemala e Honduras) e MaryKay Carlson, dirigem os negócios da embaixada dos Estados Unidos em Buenos Aires. Junto com Alberto Fernández estarão o chanceler Felipe Solá, o Secretário de Assuntos Estratégicos Gustavo Béliz, e o embaixador argentino nos Estados Unidos Jorge Argüello.

As outras duas possíveis reuniões em pauta são com o presidente da Câmara dos Deputados, Sergio Massa e com o Ministro do Meio Ambiente, Juan Cabandié, no marco do crescente interesse global pela as questões ambientais.

Um dos que chega com a comitiva é, coincidentemente, um ex-Microsoft. As empresas chinesas têm uma presença transversal nas redes de comunicação globais, através de aplicações muito bem sucedidas como TikTok e, mais importante, na infraestrutura da Internet. As redes 5G do Brasil e da Argentina, e a presença da chinesa Huawei certamente serão assunto de conversa.

Por tal motivo, a inclusão dos principais especialistas em cibersegurança não é acidental. Biden declarou publicamente que os ataques cibernéticos podem se transformar em “uma guerra real”.

Enquanto Biden gosta de hostilizar o presidente russo, cuja operação de espionagem cibernética é frequentemente apontada como sendo o responsável pela vitória presidencial de Donald Trump em 2016, as preocupações mais sérias do governo dos EUA apontam para a China, a quem as autoridades acusam de um recente ataque a servidores da Microsoft que afetou milhares de órgãos públicos e privados nos Estados Unidos e que chamou a atenção tanto por seu enorme porte quanto por seu caráter indiscriminado.

Os americanos também estão preocupados com a possível instalação do que eles entendem como “bases” chinesas na Patagônia, repetindo o procedimento do observatório espacial de Neuquén. A principal preocupação gira em torno da possível instalação de uma base logística na Terra do Fogo destinada ao abastecimento de explorações e operações antárticas. Com ou sem razão, os norte-americanos desconfiam de qualquer resseguro no uso civil de uma instalação dessas características devido à organização política do país asiático.

Destaca-se, assim, que a visita parece confirmar que as principais preocupações com a China são de ordem militar e que a intensa relação econômica do país asiático com o Brasil e a Argentina é, pelo menos, apenas tolerada.

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