18/08/2026 | Milhares de pessoas voltarão a marchar nesta quinta-feira ao meio-dia pelo centro de Buenos Aires. Protestarão contra Milei por não fornecer ferramentas para que as famílias possam aliviar suas dívidas com os bancos.
FONTE: El Destape

As centrais sindicais e movimentos sociais com maior capacidade de mobilização do país voltarão às ruas nesta quinta-feira para protestar contra o governo de Javier Milei. Os sindicatos acusam a Casa Rosada de ser responsável por gerar um modelo econômico que “encurrala” milhões de argentinos com dívidas. Haverá uma mobilização em frente ao Ministério da Economia para dar visibilidade ao flagelo das famílias cujo salário não é suficiente e que precisam se endividar.
A Confederação Geral do Trabalho (CGT), as duas Centrais dos Trabalhadores da Argentina (CTA), a União dos Trabalhadores da Economia Popular (UTEP) e a Associação dos Trabalhadores do Estado (ATE) marcharão nesta quinta-feira às 14h para a Plaza de Mayo para protestar em frente ao edifício da pasta comandada pelo ministro da Economia, Luis Caputo.

“A situação se agrava cada vez mais, é crítica. É um endividamento no qual muitos entram para comer e pagar os serviços. A distorção que a Argentina tem, com este modelo, os encurrala e os coloca em uma situação angustiante. É preciso fazer uma demonstração de reivindicação e protesto”, disse o cosecretário da CGT, Cristian Jerónimo.
De acordo com dados do Banco Central da República Argentina (BCRA), 12,7% dos empréstimos a famílias registraram inadimplência em junho de 2026, um nível muito superior aos 2,5% de outubro de 2024.
Desde que o Governo Nacional classificou a inadimplência das famílias como “um problema entre privados”, diferentes setores da oposição reagiram, incluindo os sindicatos. “Nós não acreditamos nisso. É um problema gerado por este modelo de especulação financeira”, afirmou Jerónimo.
O pedido de soluções ao Governo
Nesse sentido, o sindicalista destacou que o Estado precisa dar “ferramentas e mecanismos” para oferecer respostas. “Cabe ao Governo assumir essa responsabilidade pelo seu papel. Eles não podem se fazer de desatentos. Sabemos que é um governo insensível que só representa os interesses dos setores concentrados”, destacou.
Segundo a consultoria Zentrix, quase nove em cada dez argentinos acreditam que precisam de dois ou mais empregos para chegar ao fim do mês, enquanto entre os menores de 40 anos, 85% não conseguem passar do dia 20 e 77% estão endividados.
Por sua vez, o titular da ATE, Rodolfo Aguiar, concordou com o cosecretário da CGT que o Governo de Milei “tem ferramentas”, mas “se recusa a utilizá-las em favor da população”. “Mais de 20 milhões de pessoas, quase metade do país, estão endividadas e deve existir um programa estatal de desendividamento. Essa crise grave que as famílias argentinas atravessam só se supera com uma resposta pública”, indicou.
Para Aguiar, a Casa Rosada deve implementar “com urgência” um programa de desendividamento. “É preciso ter opções reais de pagamento. Os créditos tomados foram usurários e, na maioria dos casos, não podem ser quitados, são impagáveis”, afirmou.
Segundo uma pesquisa divulgada pela ATE, 87% dos funcionários públicos do país têm dívidas vigentes e, desse grupo, 73% as têm com várias instituições ao mesmo tempo. Quanto à finalidade desse dinheiro, 40% disseram que o destinam a emergências médicas, gastos com educação ou ao pagamento de aluguel e despesas condominiais, e 37% o usam para pagar outras dívidas ou cobrir alimentação e roupas.
