Acordo peronista: Kicillof, Massa, Máximo e os governadores concordaram em posições contra Milei

12/08/2026 | Os principais representantes do peronismo se reuniram na terça-feira no Hotel Emperador. Concordaram em manter as eleições primárias (PASO) e unificar posições diante dos projetos que o Governo busca impulsionar no Congresso.

Por Fernando Cibeira

FONTE: El Destape

Surpreendentemente, os principais representantes do peronismo voltaram a se reunir depois de muito tempo para definir posições sobre questões estratégicas que serão discutidas no Congresso. Convocados pelos líderes dos blocos parlamentares, José Mayans e Germán Martínez, Axel Kicillof, Sergio Massa, Máximo Kirchner, o senador Gerardo Zamora e os governadores Ricardo Quintela, Sergio Ziliotto, Gildo Insfrán e Gustavo Melella se encontraram nesta terça-feira durante mais de três horas no Hotel Emperador. Segundo detalharam, a conversa transcorreu em bom clima e a principal definição foi manter as PASO como ferramenta para resolver as diferenças internas, justamente quando o Governo começou – agora a sério – a reunir os votos necessários para eliminá-las.

Diante da ausência de uma liderança definida, Mayans e Martínez precisavam acordar uma linha política clara sobre alguns dos temas importantes que serão debatidos em breve. Entre eles, o Orçamento 2027 e as transferências aos estados, uma discussão que voltou a ganhar temperatura a partir das revelações sobre o desvio de recursos arrecadados por meio do imposto sobre os Combustíveis, que deveriam ser destinados à manutenção das rodovias nacionais. Também revisaram os novos projetos que o governo de Javier Milei pretende impulsionar no Congresso, como a reforma da Carta Orgânica do Banco Central. Como era previsível, concordaram em rejeitá-los.

Mas também havia urgência em relação à questão eleitoral. O chefe de Gabinete, Diego Santilli, participou nesta quarta-feira de um encontro dos governadores do Norte Grande em Misiones e, embora lá não se tenha falado sobre as PASO, avançaram em acordos que poderiam se traduzir em novos entendimentos no Congresso. Além disso, a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, telefonou ao ex-presidente Mauricio Macri e concordaram em realizar uma cúpula para definir uma possível aliança entre A Liberdade Avança e o PRO. Tudo indica que a Casa Rosada acelerou as definições eleitorais, cujo primeiro objetivo é a eliminação das primárias. No governo, entendem que, sem as PASO, aumentam as possibilidades de Milei conseguir a reeleição no primeiro turno, já que se tiver que disputar um segundo turno, o mais provável é que seja derrotado.

Os representantes do peronismo concordaram sobre a necessidade de manter as PASO como instrumento para gerar uma alternativa para enfrentar Milei “da forma mais ampla possível”, como costuma definir Kicillof. O governador bonaerense e Máximo Kirchner não se viam pessoalmente há algum tempo, mas, segundo comentaram os presentes, a conversa transcorreu em total harmonia. Primeiro compartilharam uma tábua de frios e depois houve jantar. Kicillof já havia se manifestado a favor da manutenção das primárias. Agora, o restante da primeira linha do peronismo também o fez. Massa não esconde seu desejo de buscar uma revanche pela presidência, e uma primária poderia ser favorável para ele se candidatar.