A maior dor do mundo: morreu o Indio Solari

05/06/2026 │ Aos 77 anos e após uma árdua luta contra o Parkinson, partiu o artista mais mobilizador da música argentina.

FONTE: Diario Contexto

“Me falta só saber / A data e o lugar / E ali irei cantando”, entoava com uma sinceridade inquietante em “Encuentro con un ángel amateur“. E o dia que ninguém esperava chegou: Carlos Solari se foi. Indio. Poucas vezes a primeira pessoa do plural é recomendável em uma nota informativa, mas jamais tão certeira. Poucos artistas (ou personalidades em geral) estão tão enraizados no inconsciente e no coração do povo argentino. A verdade é que, aos 77 anos, faleceu a figura mais incomparável, complexa e massiva da música nacional após enfrentar uma luta contra o Parkinson.

Nascido em Paraná, o cantor, compositor e principal letrista do Patricio Rey y sus Redonditos de Ricota, grupo surgido em La Plata que, entre o final dos anos 70 e 2001, se tornou um fenômeno cultural sem precedentes fora dos grandes circuitos da indústria musical. Com uma proposta artística que combinou rock, experimentação, crítica social e uma estética própria, Los Redondos construíram uma das bases de seguidores mais numerosas e fiéis do país.

Após a separação da banda, Solari iniciou uma bem-sucedida carreira solo à frente dos Los Fundamentalistas del Aire Acondicionado, com quem gravou vários discos e protagonizou alguns dos shows mais multitudinários da história argentina. Sua obra é caracterizada por uma escrita carregada de referências literárias, políticas e filosóficas, bem como por um olhar crítico sobre o poder, a mídia e as transformações sociais do país.

De perfil reservado e raras aparições públicas, o Indio consolidou-se como uma figura de enorme gravitação simbólica dentro da cultura argentina. Sua influência transcende o âmbito musical e alcança dimensões sociais, políticas e geracionais, tornando-o um dos artistas mais relevantes e com maior poder de convocação das últimas décadas.