Movimento ‘Ni una Menos’ reuniu milhares de mulheres em toda a Argentina

03/06/2026 | A mobilização ocorreu 11 anos após a primeira marcha. O pedido por justiça para uma adolescente assassinada em Córdoba marcou a jornada.

FONTE: BAE

Milhares de pessoas participaram nesta quarta-feira de uma nova marcha do Ni Una Menos em frente ao Congresso e em diversas cidades do país.

A mobilização foi marcada pelo pedido de justiça pelo feminicídio de Agostina Vega, a adolescente de 14 anos assassinada em Córdoba, e pela exigência de políticas públicas contra a violência de gênero.

Da mesma forma, lembrou-se de Dulce María Beatriz Candia, a jovem de 17 anos assassinada na província de Misiones, outro caso que gerou comoção nos últimos dias.

A convocação foi realizada sob o lema “Vivas, livres e desendividadas nos queremos”, 11 anos após a primeira mobilização nacional que transformou o Ni Una Menos em uma referência da luta contra os feminicídios na Argentina.

Cuántos femicidios hubo en Argentina

Na Plaza del Congreso, organizações feministas exibiram fotografias de vítimas de violência de gênero. As imagens ocuparam grande parte das calçadas que rodeiam o Palácio Legislativo.

Segundo dados divulgados por organizações sociais, 100 mulheres foram assassinadas no que vai de 2026, um número que equivale a um feminicídio a cada 31 horas.

Por sua vez, o último relatório da Corte Suprema de Justiça registrou 200 feminicídios durante 2025, contra 228 contabilizados em 2024.

Sindicatos e partidos políticos aderiram à marcha

A mobilização contou com a participação da CTA, do Bloco Sindical Feminista, organizações estudantis e agrupamentos de aposentados.

Também compareceram dirigentes e militantes de diferentes espaços políticos, entre eles o Partido Justicialista, a União Cívica Radical e forças de esquerda.

Durante a jornada, ouviram-se pedidos pelo fortalecimento dos programas de assistência a vítimas e críticas aos cortes em áreas ligadas às políticas de gênero.

As organizações convocantes leram um documento conjunto no qual exigiram mais recursos para prevenir a violência de gênero e acompanhar as vítimas, em uma jornada que mais uma vez colocou em pauta o debate sobre os feminicídios na Argentina.

Vivas, livres, desendividadas

A mobilização culminou com a leitura de um documento no qual as organizações feministas expressaram sua “tristeza e raiva” pelos recentes feminicídios e exigiram justiça por Agostina Vega, Dulce Candia e outras vítimas de violência de gênero. Além disso, questionaram as políticas oficiais na área e denunciaram um suposto retrocesso nos mecanismos de proteção.

“Diante do governo de Javier Milei, que é negacionista da violência patriarcal, dizemos que nossas vidas não são descartáveis”, apontaram as referências durante o ato central. Também afirmaram que “as vidas das garotas valem” e exigiram o fortalecimento das políticas públicas destinadas a prevenir a violência machista.

Sob o lema “Ni Una Menos: vivas, livres e desendividadas nos queremos”, as organizações convocantes chamaram a “unir as lutas e se rebelar” e sustentaram que o pedido ultrapassa a violência de gênero para abranger também as condições econômicas e sociais que afetam mulheres e diversidades em todo o país.