26/05/2026 – Em uma nota de rodapé do último relatório do organismo, o FMI esclareceu que, se forem incorporados os juros dos títulos de cupom zero que o Executivo registra “abaixo da linha”, o resultado financeiro de 2025 mostraria um déficit de 0,8% do PIB.
FONTE: Primeireando as notícias

O FMI enterrou em uma nota de rodapé da página 7 do seu último documento um alerta que desmonta um dos pilares da comunicação econômica do Governo: o superávit financeiro que a administração de Javier Milei exibe como conquista central não reflete a totalidade dos gastos.
O organismo precisou que a medição oficial exclui os pagamentos de juros dos títulos de cupom zero, que o Ministério da Economia contabiliza fora dos agregados fiscais convencionais, prática conhecida como registro “abaixo da linha”. E foi contundente: “Incluindo o componente real dos juros capitalizados acima da linha, o déficit total chegaria a cerca de 0,8 por cento do PIB”.
A descoberta soma-se a outro sinal de tensão que o mesmo documento envia sobre o Banco Central. O FMI cobrou que seu “balanço e estrutura de governança continuem sendo fortalecidos” e instou a reforçar “a independência das instituições de supervisão”. No centro financeiro de Buenos Aires, alguns operadores interpretam essas linhas como um alerta implícito ao presidente do BCRA, Santiago Bausili.
A revelação fiscal ocorre num momento em que o Governo sustenta a narrativa do equilíbrio das contas públicas como garantia de estabilidade macroeconômica e condição para a continuidade do programa com o organismo. A nota de rodapé do FMI, discreta em sua localização, mas devastadora em seu conteúdo, põe em dúvida a solidez desse argumento.
