Mais de um milhão de pessoas protestam exigindo que o governo cumpra o financiamento universitário

12/05/2026│Com 600 mil só em Buenos Aires e mais de 1 milhão em todo o país, comunidade universitária levou às ruas o protesto contra os cortes de Milei. Docentes perderam o equivalente a 10,9 salários em 28 messes e têm os piores vencimentos da América Latina.

Em 12 de maio de 2025, a quarta marcha federal universitária na Argentina reuniu mais de 1 milhão de pessoas em todo o país – sendo 600.000 apenas na Cidade de Buenos Aires, segundo a Universidade de Buenos Aires (UBA). Diferentemente da primeira manifestação, que ocorreu em frente ao Congresso para pedir uma lei de financiamento, desta vez os manifestantes se concentraram diante da Casa Rosada para exigir que o presidente Javier Milei cumpra a lei aprovada duas vezes pelo Parlamento em 2024.

Os manifestantes criticaram os cortes orçamentários, com cartazes criativos e frases de efeito contra o governo. O documento lido na praça denunciou que o governo já está há 203 dias sem cumprir a lei, que agora está nas mãos da Suprema Corte. A comunidade universitária pediu que o tribunal obrigue o Executivo a cumprir a norma.


Os efeitos dos cortes são severos: as transferências para as universidades nacionais caíram 45,6% entre 2023 e 2026; os gastos de funcionamento não ultrapassaram 64% do valor de janeiro de 2023. Na prática, o sistema universitário perdeu o equivalente a quase nove meses de transferências. Os salários dos docentes, com inflação de 293,3% contra reajustes de 147,3%, sofreram perda equivalente a 10,9 salários. Hoje, os professores recebem os piores salários da América Latina e o menor nível em 23 anos.

Os estudantes também foram afetados: as bolsas Progresar estão congeladas, as bolsas Manuel Belgrano passam por desfinanciamento e as bolsas de vocação científica foram suspensas. Isso, segundo o documento, expulsa alunos do sistema universitário e aprofunda desigualdades.

Houve protestos massivos também em Rosário, Córdoba, Mar del Plata e Mendoza. O reitor da Universidade Nacional de Rosário afirmou que “não serão a geração que verá o sistema universitário se apagar”. Participaram desde jovens de 16 anos até aposentados. Também marcaram presença setores como a CGT e sindicatos diversos, além do governador Axel Kicillof.

O protocolo antipiquetes do governo não conteve a manifestação. Com quatro marchas realizadas, duas votações no Congresso e duas ordens judiciais ignoradas pelo Executivo, a comunidade universitária deixou claro: a bola agora está com a Suprema Corte, e resta a Milei cumprir a lei.