11/03/2026 │ O dado é de um estudo privado que analisou a relação entre o salário e a dinâmica interna nos locais de trabalho. As vulnerabilidades incluem pular refeições ou consumir alimentos de menor qualidade nutricional. 22,6% dos assalariados simplesmente não comem por falta de dinheiro.
FONTE: Política argentina

Um estudo elaborado pelo Observatório da Dívida Social da Universidade Católica Argentina (UCA), em conjunto com a Edenred, mostrou um retrato da preocupante realidade social dos argentinos: 83,5% dos trabalhadores sofrem privação alimentar durante a jornada de trabalho. As vulnerabilidades vão desde pular refeições até consumir alimentos de menor qualidade nutricional. Por sua vez, 22,6% dos assalariados simplesmente não comem devido à falta de dinheiro.
Os mais afetados são os trabalhadores de menor renda, não qualificados e que atuam em pequenas empresas, onde a vulnerabilidade alimentar se intensifica. 80% responderam que desejam receber auxílio alimentação de seus empregadores, algo que só é obrigatório em alguns acordos coletivos e que, com a reforma trabalhista, se tornou “opcional”, ficando a critério do empregador conceder ou não.
Além das privações alimentares, a problemática se manifesta em um fenômeno ainda mais abrangente: a perda de qualidade nutricional. 78,5% dos trabalhadores admitiram ter se visto obrigados a escolher alimentos menos saudáveis e mais baratos, diante da impossibilidade de arcar com uma dieta equilibrada.
Os dados da UCA e Edenred revelam que, antes de deixar de comer, o trabalhador médio sacrifica sua saúde a longo prazo; de fato, apenas 16,5% da população assalariada está livre de algum tipo de privação alimentar, seja por quantidade ou por qualidade. Ao analisar o item “pular refeições por privações alimentares”, constata-se que 46,7% o fazem ocasionalmente, 14,5% regularmente, enquanto 38,9% não o fazem. Além disso, existe uma diferença ainda mais marcante entre setores de atividade. O setor público apresenta níveis mais elevados de vulnerabilidade alimentar (72%) do que o setor privado (56%).
Por sua vez, o gasto diário reportado com alimentação no trabalho varia entre: menos de $5.000 (36,1%); entre $5.000 e $10.000 (43,9%). Este segmento totaliza 80% dos trabalhadores, enquanto 12% investem entre $10.000 e $20.000 e 8% superam esse nível de gasto diário. Dessa forma, conclui-se que 22,6% dos assalariados simplesmente não comem durante a jornada de trabalho.
VULNERABILIDADE ALIMENTAR
- 83,5% dos assalariados sofrem algum tipo de privação alimentar (seja por quantidade ou por qualidade nutricional) em seu cotidiano.
- 61,1% dos trabalhadores admitem que precisam pular alguma refeição durante sua jornada de trabalho por falta de orçamento.
- 78,5% da população trabalhadora se vê obrigada a escolher alimentos menos saudáveis, porém mais baratos, para poder comer.
- 70,7% dos jovens (18-29 anos) é o grupo mais afetado pela omissão de refeições durante o trabalho.
- 73,2% dos funcionários públicos sofrem privações alimentares, superando amplamente o setor privado (56%).
- 26% dos trabalhadores não conseguem fazer uma pausa regular para comer, afetando seu bem-estar físico e mental.
- 39,2% é o risco de privação quando a empresa fornece o alimento, contra 65,8% de risco em locais sem nenhum tipo de infraestrutura.
- 23,1% dos assalariados apresentam quadros de obesidade, vinculados à má qualidade da dieta por restrições econômicas.
- 80,4% dos trabalhadores gostariam de receber um auxílio financeiro específico de seu empregador para melhorar sua alimentação.
- 56,6% das mulheres afirmam que, se tivessem um benefício alimentar, escolheriam alimentos muito mais saudáveis.
