24/11/2025 │ O Governo de Milei, por meio da Comissão Nacional de Valores Mobiliários (CNV), aprovou a Resolução Geral 1091, que permite que adolescentes entre 13 e 17 anos invistam em uma variedade maior de ativos financeiros. Após a medida, os especialistas do mercado começaram a debater se é ou não uma boa ideia.
Por Gonzalo Andrés Castillo
FONTE: Ámbito financiero

Até agora, os jovens só podiam operar com fundos de investimento de baixa volatilidade. Com a nova norma, eles também podem acessar fundos com renda fixa (títulos), renda variável (ações) ou ativos mais diversificados.
A medida visa promover a educação financeira e favorecer a autonomia progressiva dos menores, sempre com a supervisão dos pais ou responsáveis legais.
Vale ressaltar que nem todos os fundos estão permitidos, já que ficam de fora os fundos fechados e os destinados apenas a “investidores qualificados”, o que limita os riscos para os jovens.
O que o mercado pensa sobre investir aos 13 anos?
A medida causou certo burburinho entre pessoas alheias ao mundo dos investimentos. No entanto, os especialistas no assunto concordam que se trata de um grande avanço para o desenvolvimento do mercado local e para a saúde dos pequenos investidores.
“Não são poucos os pais que desejam separar economias para seus filhos e ir investindo ao longo do tempo. Esta norma facilita de alguma forma essa possibilidade, permitindo que a poupança juvenil seja canalizada para instrumentos financeiros formais”, comentou o analista e consultor financeiro Mariano Monferini.
“Além disso, os fundos de investimento são geridos por profissionais, o que reduz em boa medida o risco, e a exigência de autorização do representante legal confere uma camada adicional de proteção”, acrescentou.
Outro ponto a destacar é que, hoje em dia, as redes sociais bombardeiam com todo tipo de opções de investimento, muitas vezes sem regulação, o que aumenta o risco de cair em fraudes ou esquemas pouco transparentes.
E que os jovens possam se aproximar do mundo dos mercados regulados, onde existem controles, supervisão e obrigações de transparência, é um avanço positivo em termos de inclusão financeira.
A importância da educação
De qualquer forma, os executivos concordam que, para que a norma da CNV tenha sucesso, a educação financeira é essencial.
“Para mim, é uma medida muito boa, mas é necessária uma obrigatoriedade na educação financeira para tomar consciência e saber como fazê-lo, caso contrário, podem ser cometidos erros de iniciante”, relatou o consultor Omar De Lucca.
“Seria bom que as empresas também incentivassem isso para os jovens funcionários, por exemplo; aqueles que conseguem seu primeiro emprego aos 17 ou 18 anos também. E que nas escolas implementem workshops em linha com conexão à bolsa de valores em horário de mercado para fazer operações em conjunto. Tudo tem que andar junto…”, acrescentou.
Nesta linha, o consultor Abel Cuchietti ressaltou que também faltaria o apoio do Estado. “Vai depender de pais que aprenderam a importância de investir, e, como são muito poucos na Argentina, vai ficar no avanço burocrático do Ministério da Educação de cada província, de iniciar a educação financeira em crianças, para que a demanda venha dos filhos para os pais, que são os cotitulares maiores que autorizam a abertura”, sustentou.
