23/01/2025│A vice-governadora de Buenos Aires, Verónica Magario, questionou Javier Milei sobre a veracidade do índice de inflação de 2024 divulgado pelo INDEC.
FONTE: Diputados Bonaerenses

A vice-governadora da província de Buenos Aires, Verónica Magario, denunciou que os dados de inflação reportados pelo governo nacional de Javier Milei “são mais uma de suas mentiras”, e garantiu que em 2024 o índice real foi de quase 16 pontos superior ao reportado pelo Instituto Nacional de Estatística e Censos (INDEC).
Neste sentido, Magario explicou que o problema reside no fato de o Governo libertário não autorizar o INDEC a atualizar a base de ponderação do Índice de Preços ao Consumidor (IPC), que ainda se baseia nos padrões de consumo 2004/2005, o que implica que os dados atuais não refletem a realidade do consumo familiar.
“Por exemplo, os gastos com habitação, água, eletricidade, gás e outros combustíveis representavam 10,5% do total em 2004/2005, enquanto na última atualização subiram para 15,1%, sem contar os aumentos de 2024”, disse a vice-governadora.
Assim, Magario esclareceu que não é que o INDEC meça mal a inflação, mas sim que utilize dados de consumo que não correspondem a mudanças tecnológicas ou a mudanças nos preços relativos.
Segundo o estudo divulgado por Martín González Rozada, professor de Econometria da Universidade Torcuato Di Tella, a inflação real em 2024 teria atingido 133,6%, ante os 117,8% dados pelo INDEC. A diferença não é pequena, pois representa uma perda adicional de quase 7% no poder de compra dos aposentados e dos trabalhadores com salário mínimo.
González Rozada destacou que em 2024 os preços dos serviços aumentaram 189%, enquanto os bens aumentaram 96,3%, o que gera uma lacuna significativa nos dados oficiais.
Por outro lado, a vice-governadora de Buenos Aires, Verónica Magario, também questionou duramente o ajuste fiscal implementado pelo governo de Javier Milei durante o seu primeiro ano de mandato. Com base num relatório do Centro de Economia Política Argentina (CEPA), a funcionária provincial destacou que os cortes impactaram desproporcionalmente nos setores mais vulneráveis da sociedade.
“O relatório expõe a brutalidade do ajuste de todo o ano de 2024 na sociedade.” De cada 100 pesos ajustados, 19,2 pesos foram sofridos pelos aposentados, ou seja, quase 20% de todo o corte foi pago por eles”, disse a chefa da Câmara Alta provincial.
Além disso, a vice-governadora de Axel Kicillof destacou que os benefícios sociais sofreram um corte significativo e apontou que o reajuste dos benefícios sociais fosse de 13,6 pesos em cada 100 ajustados, o que inclui subsídios, pensões não contributivas, benefícios para aposentados e outros programas. “A despesa com prestações sociais em 2024 foi de 9,6% do PIB, o valor mais baixo pelo menos da última década”, frisou Magario.

Em relação às obras públicas, a funcionária destacou que, de cada 100 pesos ajustados pelo governo de Javier Milei, 23,6 correspondiam a obras públicas, o que representou menos infraestruturas na saúde e na educação e menos emprego, o que tem um impacto total na reativação da economia.
Neste sentido, Magario considerou o efeito do aumento das tarifas nos serviços básicos como eletricidade, gás, água e transportes. “No caso dos subsídios econômicos, a despesa foi equivalente a 1,5% do PIB, uma queda acentuada face aos últimos anos, em resultado das elevadas tarifas que foram aplicadas aos serviços públicos”, explicou.
A presidente do Senado de Buenos Aires também comparou a situação dos setores mais afetados com o desempenho do mercado financeiro, que descreveu como um cenário de lucros desproporcionais e criticou as decisões econômicas do governo que beneficiaram os especuladores. “É claro que o mercado financeiro está em outra sintonia, onde há uma festa movida pelo dólar barato”, afirmou.
Por fim, Magario sublinhou: “Além da euforia com que o governo Milei atua exageradamente nas redes e em alguns meios de comunicação, a dura realidade quotidiana do nosso povo e a contundência dos dados reais constituem um raio-x indiscutível”.
