Papelão internacional: Mondino colocou em risco a vida dos seis asilados na embaixada argentina na Venezuela.

08/02/2024|A Ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, reconheceu Edmundo González como presidente eleito da Venezuela na rede X. Milei retuitou. Uma declaração urgente do Ministério das Relações Exteriores negou tudo. No meio, estão os seis opositores a Maduro abrigados na embaixada.

Por Jonathan Heguier

FONTE: El Destape

Num novo papelão internacional, a Ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, colocou em perigo a vida dos seis requerentes de asilo na embaixada argentina na Venezuela com um tweet. Nele reconheceu Edmundo González como o presidente eleito da Venezuela. E Javier Milei retuitou. O conselheiro presidencial Santiago Caputo teve de intervir e foi emitida uma declaração urgente do Ministério das Relações Exteriores da Argentina, na qual refuta Mondino.

“A República Argentina foi um dos primeiros países a rejeitar e ignorar o resultado das eleições presidenciais venezuelanas de 28 de julho. As evidências coletadas até agora apenas confirmaram essa posição. A República Argentina continua com extrema atenção e preocupação os acontecimentos na Venezuela  para fazer uma declaração definitiva”, escreveu a chancelaria.

Anteriormente, o governo nacional havia confirmado González como o novo presidente da Venezuela com base nos números não oficiais dos resultados eleitorais divulgados pela oposição venezuelana. “Depois de vários dias da publicação dos registros eleitorais oficiais da Venezuela em: http://resultadosconvzla.com, todos podemos confirmar, sem dúvida, que o legítimo vencedor e presidente eleito é Edmundo González”, afirmou Mondino.

Na Casa Rosada, explicaram que “é a posição do Governo Argentino, vai acontecer, disse uma fonte ao El Destape.

Após a saída dos seis diplomatas argentinos e com a tutela do Brasil, continuam lá os seis opositores abrigados na embaixada argentina em Caracas desde março. Fazem parte da equipe política de María Corina Machado, principal dirigente da oposição antichavista, que não pôde ser candidata porque foi declarada inelegível pela justiça. Os seis são: Magalli Meda, gestora de campanha; Pedro Urruchurtu, coordenador internacional do Vente Venezuela (VV), partido liderado por Corina Machado; o ex-deputado Omar González; o perito eleitoral Humberto Villalobos; e Claudia Macero, que lidera a comunicação do partido. E o sexto líder é uma pessoa que nunca quis dar a conhecer a sua identidade.

No Governo também tentaram defender Mondino: “É um erro humano. Ela não disse que reconhecemos Nicolás Maduro como presidente. Aí sim, teríamos demitido ela na hora. Disse o que pensava, nada mais”, declarou ao El Destape uma fonte próxima de Milei.

“Primeiro temos que resolver a vida dessas seis pessoas e depois entraremos em questões políticas. Agora não podemos, porque Maduro chega com três viaturas e mata seis pessoas”, explicou uma pessoa da comitiva de Milei ao El Destape.

Sobre o retuíte de Milei para Mondino, eles se justificaram: “Javier sempre retuíta ministros. Ele deve ter visto o tweet e foi em frente. É isso. Foi um erro das seis pessoas”.

No Governo, não querem avançar contra Maduro porque esperam resolver a situação dos seis requerentes de asilo nos próximos dias. Além disso, Milei aspira liderar um bloco com os signatários da primeira declaração que não reconheceram os resultados eleitorais da Venezuela. Os signatários foram Argentina, Costa Rica, Equador, Panamá, Paraguai, Peru, República Dominicana e Uruguai. Assim que a situação dos refugiados for resolvida, Milei quer organizar uma cúpula com os presidentes desses países. O Governo tenta fazer da Argentina a sede. “Seria bom aproveitarmos esta tragédia para formar um bloco com interesses comuns. Não haveria outra pessoa que pudesse expressar essa liderança senão Javier”, afirmaram políticos do entorno do presidente argentino a este portal.