06/06/2024│O saldo negativo das reservas do BCRA foi de 1 milhão de dólares. Embora seja um valor pequeno para os volumes da entidade monetária, a preocupação do mercado é de que esse comportamento apareça na época do ano em que deveriam estar entrando muitos dólares da colheita.
FONTE: En orsai

O dólar “blue” [do mercado paralelo] caiu apenas 15 pesos e terminou em 1.250 pesos. Por sua vez, os dólares financeiros não tiveram uma tendência clara. As tensões continuaram nos ativos do mercado de ações e valores, principalmente nos títulos soberanos. O risco país atingiu 1.525 pontos.
Outro sinal que mostra pressões financeiras estava ligado às reservas internacionais. O Banco Central vendeu dólares pela terceira vez nos últimos 8 dias. Nesta ocasião, foi um saldo negativo de 1 milhão de dólares. Embora seja um número que parece pequeno para os volumes da entidade, a preocupação surge devido à época do ano, quando devem estar entrando muitos dólares da colheita.
O agronegócio continua a desacelerar as exportações porque pensa que o governo não conseguirá sustentar a política de desvalorização mensal de 2 por cento, ou seja, uma taxa duas ou três vezes inferior à inflação mensal. Com isso, o acúmulo de reservas torna-se complexo.
A falta de perspectivas tem forte impacto nos ativos argentinos, como ações e títulos soberanos em moeda estrangeira. Somam-se a esse ponto as incertezas políticas no Congresso. Os títulos em moeda estrangeira caíram esta quarta-feira para quase 4%. Durante as últimas três rodas, o recuo acumulado é superior a 8 por cento.
O risco país em níveis superiores a 1.500 pontos reflete um cenário muito diferente daquele de abril, quando este indicador poderia permanecer abaixo de 1.000 e até alguns dos consultores de mercado garantiram que a Argentina estava a caminho do regresso aos mercados de dívida internacionais.
Do lado das ações, também houve quedas que mostram o aumento do nervosismo no mercado. O índice Merval da bolsa de valores de Buenos Aires caiu 0,7 por cento, com as quedas concentradas principalmente em ações de setores como energético e financeiro. No dia anterior, já haviam registrado um impacto significativo nos preços.
Em relação aos papéis das empresas argentinas que atuam em Wall Street, também tiveram perdas. As quedas foram lideradas pelo Cresud e pelo Banco Macro, com 2% e 1,7% por cento, respectivamente. Há algumas semanas, os investidores internacionais parecem ter iniciado uma saída dos ativos argentinos, gerando forte instabilidade de preços.
