Manifestações, aulas públicas e greve: a comunidade universitária de La Plata protestou contra o ajuste

11/04/2024│Pela tarde, professores, funcionários e estudantes marcharam em defesa da educação pública e pela atualização orçamentária. Os professores também entraram em greve a partir do meio-dia. Pela manhã houve aulas públicas e um dia de visibilidade do problema.

FONTE: Diario Contexto

A comunidade universitária da UNLP (Universidade Nacional de La Plata) realizou hoje um dia de protesto nas faculdades e colégios contra o ajuste orçamentário e salarial aplicado pelo Governo de Javier Milei e que coloca as unidades de ensino superior numa situação de extrema incerteza e fragilidade. Pela manhã, foram realizadas atividades de visibilidade do problema como aulas públicas, afixação de cartazes e distribuição de panfletos, enquanto a partir das 12h professores e funcionários realizaram uma greve e, posteriormente, um comício em frente à Reitoria.

A comunidade como um todo exigiu uma atualização orçamentária com base no avanço da inflação. Atualmente a UNLP, como todas as universidades públicas, funciona com o mesmo orçamento de 2023, após uma inflação de 211% naquele ano, à qual se somaram outros 33% a partir de fevereiro de 2024, segundo o INDEC.

Unilateralmente, a administração de Javier Milei deu um aumento de 70% nas despesas operacionais, que representam apenas 10% do orçamento da universidade, já que o restante é para pagar salários. Diferentes reitores de universidades já alertaram que não será suficiente continuar após o primeiro semestre. Na verdade, a UNLP já está ajudando com fundos especiais a algumas faculdades que não conseguem arcar com o aumento das tarifas de eletricidade.

Somam-se à medida de força de hoje diferentes iniciativas da comunidade universitária para exigir maiores recursos para a educação pública.

Em termos salariais, os sindicatos exigem negociar aumentos em linha com o nível inflacionário. Até agora, o Governo Libertário concedeu aumentos decididos unilateralmente bem abaixo da inflação.

Os trabalhadores universitários receberam um aumento de 16% em Fevereiro (dos quais 10% corresponderam à negociação com o Governo anterior) e de 12% em Março, pelo que os seus salários estão claramente a perder com o avanço da inflação.

Os protestos desta semana foram o prelúdio da greve e marcha federal confirmadas pela Frente Sindical das Universidades Nacionais e pela Federação Universitária Argentina para 23 de abril. Da mesma forma que aconteceu com o Governo de Mauricio Macri, as ruas se encherão de professores e estudantes exigindo o apoio do Estado à educação pública.