O Governo publicou um vídeo em que não mencionava os crimes da ditadura no aniversário do golpe civil-militar de 1976 e centenas de milhares de pessoas responderam nas ruas repetindo a exigência histórica de Memória, Verdade e Justiça.
FONTE: El Destape
por: SANTIAGO BALLATORE NISENBAUM

Foi um Dia especial em Memória da Verdade e da Justiça. A exigência de Memória, Verdade e Justiça já dura mais de quatro décadas, porém desta vez era necessário gritar bem alto perante uma Casa Rosada dominada por um Governo negacionista. Por isso, 400 mil pessoas responderam à convocatória das organizações de direitos humanos e encheram a Praça de Maio, deixando uma imagem que há muito não se via.
Uma das pessoas que falou foi a dirigente das Avós da Plaza de Mayo, Estela de Carlotto. Pediu uma lei que sancionasse os funcionários negacionistas da última ditadura civil-militar, cujo início foi há 48 anos, e lembrou que “os perpetradores civis”, entre eles “o poder econômico concentrado”, “permanecem na sua maioria impunes” e apelou a construir uma mudança no rumo econômico do Governo Milei.
Norma, uma das manifestantes, disse ao El Destape: “Infelizmente está se começando a sentir o mesmo que se sentia há 48 anos. Não pensei que fosse experimentar essas sensações novamente. Eu tinha 18 anos quando ocorreu o golpe, perdi muitos afetos. Não era militante, mas eu era muito próxima de pessoas que militavam. Amigas, amigos, familiares. Foi realmente muito difícil. É por isso que sempre venho à marcha. Não pensei que em algum momento seria capaz de sentir esse medo novamente”. Ao seu lado, Flavia acrescentou: “Infelizmente, o Governo que temos agora está aplicando ou a tentando aplicar as mesmas medidas econômicas que se experimentaram naquela época. E eles reivindicam o terrorismo [de estado].

Isso torna especial este 24”. A exigência de Memória, Verdade e Justiça foi unânime. Não há divisões na rua. Mas no meio, apareciam outras reivindicações, algumas setoriais e quase todas ligadas à política de ajuste de Milei. Marina, representante do sindicato La Bancaria, por exemplo, manifestou pela primeira vez o seu apoio “mais do que nunca” no dia 24 de março: “Pelos 30 mil [desaparecidos], pelos que não estão aqui e para os que estão”. “Também por nossos companheiros bancários desaparecidos, que são 190” explicou.

Matéria completa em: El Destape
