05/01/2024 | A desvalorização e a desregulamentação dos preços impostas pelo Governo Milei estabeleceram um piso de 30% para a inflação desde dezembro. Devido a perspectiva de mais aumentos, a incerteza é total.
FONTE: El Destape
Por Eugenia Rodríguez

O impacto das medidas econômicas no bolso das famílias argentinas não tardou em chegar e o ajuste já se faz sentir no primeiro verão da gestão de Javier Milei. Segundo pesquisa privada, 46% das famílias argentinas não poderão viajar nas férias nesta temporada e o número sobe para 60% no caso dos trabalhadores de baixa renda, enquanto 17% ainda não definiram se poderão desfrutar de um merecido descanso.
Os motivos? A incerteza econômica generalizada e o aumento dos custos no setor, somaram-se à insegurança sobre as fontes de trabalho e à persistente perda de poder de compra dos rendimentos. Assim, neste novo ano uma grande parte da população das classes C e D não tirará férias ou encurtará os dias em comparação com anos anteriores (a maioria não excederá 7 ou 10 dias). Aliás, o setor alerta que, normalmente, nesta altura do ano a ocupação era de 100%, e hoje só consegue atingir os 60% de reservas em alguns locais.
Tudo isto também ocorre no contexto das desregulamentações promovidas no Decreto de Necessidade e Urgência (DNU) 70/2023 do Governo nacional que incluiu a “desregulamentação do sector do turismo através da eliminação do monopólio das agências de turismo”, medida rejeitada pelo setor que considera que existe um “desconhecimento da atividade, sendo mais de 80% das agências de viagens pequenas e médias empresas”.
O privilégio? de tirar férias
Quase metade das famílias argentinas de renda média afirmaram que não sairão de férias neste verão devido, principalmente, à incerteza econômica do país e ao impacto que as medidas anunciadas pela administração nacional já têm no bolso dos trabalhadores. Segundo relatório, 46% tomaram a decisão de não sair de férias na alta temporada e 17% ainda não sabem se poderão ou não desfrutar de um destino turístico. Não é pouca coisa, o percentual de quem não poderá fazer uma pausa sobe para 60% no caso das famílias de baixa renda.
Os dados pertencem à pesquisa “O ajuste não tira férias” realizada pela consultoria de análise de mercado D’Alessio IROL, que indicou que “o que se percebe do cenário econômico, somado ao custo e valor final do dólar turístico [taxa cobrada para os que viajam fora da Argentina], está condicionando a decisão de sair ou não de férias.”
Por faixas etárias, a incerteza acerca do emprego e salários ocupa o primeiro lugar de preocupação para os jovens trabalhadores com menos de 30 anos e entre os 45 e os 54 anos, enquanto os custos e despesas dos serviços turísticos têm mais peso entre os menores de 44 anos de idade (27%).
Por sua vez, entre os 37% que passarão férias, 25% viajarão dentro da Argentina, outros 10% irão para o exterior e os 2% restantes farão viagens fora e dentro do país. O relatório nacional mostrou ainda que, relativamente às épocas anteriores, os períodos em que as famílias podem gozar férias foram bastante encurtados já que “na sua maioria não ultrapassarão os 10 dias. Apenas um terço acha que vão tirar mais de 15 dias e quem tem mais de 40 anos é que terá férias mais longas.”
O que aconteceu nos últimos anos no setor
O turismo foi um dos setores mais atingidos pelo impacto da pandemia da Covid-19 e pelo encerramento de atividades pela menor circulação de pessoas. Este setor perdeu 19,5% dos empregos em 2020, segundo informações da Câmara Argentina de Turismo (CAT). No quadro da recuperação pós-pandemia, a atividade conseguiu acumular mais de 20 meses consecutivos de crescimento registrado do emprego privado, sendo uma das atividades mais dinâmicas na recuperação do emprego geral no país até meados de 2023.
