26/11/2023│O presidente eleito teve de se pronunciar hoje para esclarecer que o plano de encerramento do Banco Central “não é negociável”, em resposta à posição do seu principal candidato ao Ministério da Economia, Luis Caputo, ex-funcionário de Mauricio Macri.
Por Diario Contexto

Uma semana depois da eleição que elegeu Javier Milei presidente argentino, apoiado pelo aparato de Mauricio Macri e pelo peronismo Córdoba de Juan Schiaretti, o líder libertário apoia as indicações de seus parceiros em detrimento dos dirigentes da sua própria base política nas principais áreas econômicas.
O caso mais marcante de interferência interna no armado do gabinete é o de Luis “Toto” Caputo, ex-ministro das Finanças e presidente do Banco Central durante o governo Macri. Sem ser confirmado no cargo pelo presidente eleito, o economista manteve uma reunião com banqueiros a quem explicou o seu plano econômico.
Tamanha foi a força com que Caputo (e Macri) ocuparam o espaço do novo governo, que no meio da semana La Libertad Avanza perdeu Emilio Ocampo, o principal assessor que acompanhou Milei em seu projeto de dolarização e que ficaria encarregado do Banco Central.
Na sexta-feira, o ex-ministro das Finanças liderou uma reunião com representantes da Associação de Bancos Argentinos (ABA) e da Associação de Bancos da Argentina (ADEBA), a quem explicou o plano que executará caso seja nomeado chefe da pasta da Economia.
Outro dos beneficiários da distribuição do gabinete do novo governo é o atual governador de Córdoba, Juan Schiaretti, quem conseguiu que seu atual ministro da fazenda fosse nomeado para o ANSES (Administração Nacional da Seguridade Social), uma das pastas mais importantes em termos de recursos públicos. No caminho ficou uma dirigente, apoiadora histórica de Milei, Carolina Píparo, que no meio da semana havia anunciado um encontro com Fernanda Raverta, a atual encarregada do organismo, para tratar da transição.
Schiaretti também poderá manter a secretaria de Transportes e Energia, além da potencial nomeaçaõ de Randazzo (ex-peronista) à presidência da Câmara dos Deputados.
Embora poucos nomes tenham sido confirmados até agora pelo presidente eleito, a ex-ministra de Macri, Patricia Bullrich, também recuperaria o seu lugar no Ministério da Segurança, relegando para segundo plano a vice de Milei, Victoria Villaruel, que também pretendia a chefia da pasta.
