Clementina XXI: o supercomputador argentino já começou a funcionar

28/09/2023 É o equipamento mais poderoso da América Latina. Será utilizado para a elaboração de previsões atmosféricas, bem como para estudos em genômica, sistemas complexos, inteligência artificial e ciência de dados.

FONTE: Página 12

Por Pablo Esteban

Ministro da Defesa, Jorge Taiana (ao centro), Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, Daniel Filmus (à esquerda) e Celeste Saulo, diretora do SMN (à frente).

Nesta quarta-feira [27], na sede do Serviço Meteorológico Nacional (SMN), na cidade de Buenos Aires, a emoção foi grande: Clementina XXI, o supercomputador que a Argentina adquiriu em dezembro de 2022, começou a funcionar de forma satisfatória e constitui um marco para o sistema científico e tecnológico. O equipamento é um dos 100 mais poderosos do mundo em sua área e será utilizado por toda a comunidade de pesquisadores. Desta forma, a Argentina será uma das poucas nações a possuir tecnologia deste calibre que permitirá, entre outras funções, fazer previsões meteorológicas com maior precisão e realizar múltiplas experiências a uma velocidade impensável.

Recebeu esse nome em referência ao Clementina, o primeiro computador de uso científico instalado na Argentina em 1960.

“É um dos computadores mais poderosos do mundo, aliás, é o número 82 em potência. Embora uma pequena parte seja utilizada para fazer previsões meteorológicas, o resto da sua capacidade será destinado à promoção de pesquisas e experiências num grande número de disciplinas. Ficará localizado no Serviço Meteorológico Nacional [SMN] mas estará disponível para utilização do Sistema Informático Nacional, composto por 28 nós, distribuídos por todo o país”, disse Daniel Filmus, Ministro da Ciência, Tecnologia e Inovação, que estava acompanhado pelo seu homólogo da Defesa, Jorge Taiana, e pela diretora do SMN, Celeste Saulo, recentemente eleita secretária-geral da Organização Meteorológica Mundial.

Em seguida, Filmus completou: “É o maior investimento que já foi feito em informática em toda a história argentina, e o maior computador de uso público de toda a América Latina. Isso representa um salto de qualidade na capacidade de nossos pesquisadores”.

Pela sua versatilidade, além de fazer previsões, a nova tecnologia será fundamental em temas que envolvem diversas áreas científicas, como modelagem em sistemas complexos; análise genômica; produção de medicamentos; desenho industrial; a exploração de bacias petrolíferas; inteligência artificial; e tudo relacionado à ciência de dados.

Melhores informações, melhores decisões

O Clementina XXI, adquirido pelo valor de 1,74 mil milhões, ficará localizado no Centro de Informática do SMN. É quarenta vezes mais potente que o “Huayra Muyu”, equipamento que atualmente é operado pelo Serviço Meteorológico Nacional para funções substanciais como, por exemplo, fazer previsões operacionais. Na verdade, para constituir estas previsões é necessário realizar milhares de equações em questão de segundos, uma atividade que só pode ser realizada com tecnologias desta magnitude. Permitirá, neste sentido, realizar simulações da atmosfera e do clima com o objetivo de projetar o que poderá acontecer e como alertar a população em conformidade.

Da mesma forma, aumentará as capacidades do Serviço Meteorológico Nacional com o objetivo de realizar exercícios computacionais que normalmente são muito caros se adquiridos no exterior. Em muitas ocasiões, solicitar os serviços de um fornecedor estrangeiro atrasa o trabalho de cientistas locais que ficam impedidos de realizar trabalhos de maior qualidade devido à falta de disponibilidade tecnológica no país. A partir do Clementina XXI o cenário poderia ser diferente.

Os equipamentos que entraram nesta quarta-feira em funcionamento na sede do Serviço Meteorológico Nacional são compostos por processadores GPU (unidade de processamento gráfico) e CPU (unidade central de processamento), que se destacam pela capacidade de processar dados a uma velocidade invejável. Este novo computador terá 400 TeraFlops em processadores e 2 PetaFlops em aceleradores gráficos. Para referência, a máquina que o SMN utiliza atualmente para fazer previsões possui 340 TeraFlops e não possui aceleradores gráficos. Portanto, com a nova aquisição, a capacidade computacional será melhorada consideravelmente (velocidade de cálculo que, se necessário, poderá até ser aumentada ainda mais no futuro).

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