CFK comemorou a declaração da ex-ESMA como Património Mundial pela UNESCO

A vice-presidenta falou sobre o reconhecimento do sítio histórico pelo organismo internacional e destacou o papel de figuras como Hebe de Bonafini e Estela de Carlotto e Néstor Kirchner nos processos Memória, Verdade e Justiça.

FONTE: Contexto

Estela de Carlotto (Avós de Plaza de Mayo), Cristina Kirchner (vice presidenta) e Hebe de Bonafini (Mães de Plaza de Mayo)

A antiga Escola de Mecânica da Marinha (ESMA), hoje convertida em Espaço de Memória, museu e centro de cultura e militância pelos direitos humanos, foi declarada patrimônio mundial pela UNESCO. A distinção do organismo internacional foi celebrada por diversas figuras, incluindo a própria vice-presidente Cristina Fernández de Kirchner, que se expressou nas suas redes sociais a esse respeito.

Com efeito, a ex-presidente da Nação recordou figuras como Hebe de Bonafini e Néstor Kirchner no âmbito dos processos Memória, Verdade e Justiça, e reivindicou as políticas de direitos humanos promovidas durante o período 2003-2015. Com uma forte componente simbólica, Cristina Kirchner recordou o primeiro ato do dia 24 de março em que Néstor Kirchner teve de liderar como presidente, em 2004.

“Em 2004, no seu primeiro dia 24 de março como Presidente, Néstor Kirchner decidiu recuperar a antiga ESMA para a memória. Nesse mesmo dia e nesse mesmo ato, conhecemos Juan Cabandié, neto recuperado número 77, nascido no cativeiro de sua mãe – a qual nunca conheceu – naquele centro clandestino de sequestros, torturas, mortes e desaparecimentos”, disse a vice chefe de estado em suas redes sociais.

“Onze anos depois, no dia 19 de maio de 2015, juntamente com Estela (de Carlotto) e Hebe (de Bonafini), inauguramos o Museu Sítio da Memória da ESMA naquele lugar sinistro”, e acrescentou: “Esta manhã a Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (UNESCO) declarou patrimônio da humanidade o Museu Sítio da Memória da ESMA – ex Centro Clandestino de Detenção, Tortura e Extermínio, que tínhamos recuperado em 2004 e inauguramos em 2015″.

A incorporação da ex-ESMA ao Património Mundial da UNESCO foi recomendada nesta terça-feira no âmbito da 45.ª sessão do Comité da organização internacional, após a conclusão da comissão de avaliação da organização, com o respetivo processo em mãos a partir de 2022 e o apoio dos países membros. Países como Japão, Bélgica e México destacaram que com a sua incorporação se estabelece o “valor universal excepcional” dos sítios de memória relacionados com conflitos recentes.

“Deus quis que hoje recebêssemos também Estela de Carlotto junto com Mary-Claire King, geneticista americana e professora da Universidade de Washington. Mary-Claire é reconhecida internacionalmente pela aplicação de sequenciamento de DNA para identificar vítimas de violações de direitos humanos, especialmente aquelas que desapareceram”, expressou CFK em sua publicação e acrescentou: “Na Argentina isso é conhecido como ‘Índice de Avós’ e é, nem mais nem menos, do que o marcador genético que permitiu a identificação científica de netos e netas que foram apropriados. Ele [o índice] também contribuiu para a identificação dos genes do câncer de mama, entre outras conquistas.”

O reconhecimento da UNESCO, surge num contexto de luta plena do movimento pelos direitos humanos na Argentina, onde múltiplos setores levantaram a voz nos últimos meses contra o avanço de setores reacionários e negacionistas, com discursos pró-ditadura como eixo da campanha em ano eleitoral. “Mais uma vez, como antes em 2004 e depois em 2015… hoje e sempre: Memória, Verdade e Justiça”, concluiu Fernández de Kirchner.

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