Argentina crescerá por três anos consecutivos pela primeira vez desde 2008

Na atualização de janeiro das Perspectivas Econômicas Mundiais, a agência estimou um aumento de 2%, tanto para este ano quanto para 2024. Não há mudanças em relação às previsões anteriores de outubro.

FONTE: Agência Télam

O economista-chefe do Fundo Monetário Internacional, Pierre-Olivier Gourinchas, destacou que a indústria e o comércio varejista tiveram alta acima do esperado em 2022.

O Fundo Monetário Internacional (FMI) manteve sua projeção para a Argentina e sustentou que este ano sua economia crescerá 2%, nível que lhe permitiria alcançar um aumento de seu Produto Interno Bruto (PIB) pelo terceiro ano consecutivo, e que o colocaria acima da média dos países desenvolvidos e da região.

Em sua atualização de janeiro das Perspectivas Econômicas Mundiais (WEO), divulgada na segunda-feira, o FMI estimou que o país crescerá 2% neste ano e em 2024, sem mudanças em relação à previsão anterior de outubro.

Dessa forma, a Argentina acumulará três anos consecutivos de crescimento em seu PIB, depois de expandir 10,4% em 2021 e atingir 5,9% até novembro de 2022.

Se as projeções forem cumpridas, será a primeira vez que o país consegue isso desde 2008, quando acumulava seis anos consecutivos de expansão entre 8% e 9% ao ano após o colapso de 2002.

Depois de 2008, o país só conseguiu encadear dois anos consecutivos de crescimento em 2010 e 2011, e de 2012 a 2020, cresceu apenas em três períodos (2013, 2015 e 2017).

O economista-chefe, Pierre-Olivier Gourinchas, destacou em conferência de imprensa a evolução da economia do país no último ano, superando o inicialmente previsto pelo próprio FMI.

A Argentina acumulará três anos consecutivos de crescimento em seu PIB, após expandir 10,4% em 2021 e atingir 5,9% até novembro de 2022.

“Tivemos uma revisão para cima da Argentina no ano passado, de quase 0,5 pontos percentuais para 4,5%, com base na atividade mais forte do que o esperado na manufatura e no comércio varejista”, afirmou, referindo-se aos dados de 2022 que o FMI estimou originalmente.

Relativamente à estimativa para este ano, o FMI prevê um desaceleração face a 2022, em linha com o resto da economia global.

“É uma combinação de forças externas, como a desaceleração da economia global que também pesará na Argentina, e as políticas de ajuste que estão sendo realizadas no país, tanto um ajuste na política monetária quanto algum ajuste no plano fiscal para tentar controlar uma inflação muito elevada, próxima dos 100%”, explicou Gourinchas.

O governante destacou a importância da Argentina cumprir as metas previstas no acordo do FMI, incluindo um limite de financiamento monetário de 0,6%, um déficit fiscal de 1,9% (face a 2,5% em 2022) e reservas internacionais líquidas de 9,8 bilhões de dólares.

“Acreditamos que é muito importante cumprir as metas de política que estão definidas no contexto do programa que o país tem com o FMI, tanto fiscal quanto monetária”, afirmou o economista.

O seu cumprimento vai permitir “ancorar a inflação daqui para a frente e vai ajudar a estabilizar a economia”, destacou. O crescimento esperado da Argentina em 2023 é superior ao estimado para o conjunto das economias avançadas e da região.

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