Para entender a perseguição judicial contra Cristina Kirchner

Os meios hegemônicos, tanto argentinos como internacionais, deram amplo destaque às alegações do procurador Luciani, mas nada disseram das arbitrariedades e irregularidades de um processo kafkiano contra Cristina Kirchner chamado de Causa Vialidad.

Por: Eduardo Rozas

Cristina Kirchner cumprimenta simpatizantes após sua declaração nas redes sociais.

Com provas falsas, testemunhas que negaram as acusações e um processo cheio de irregularidades, a promotoria acusou Cristina Kirchner de ser chefe de uma associação ilícita e pediu a pena de 12 anos de prisão. Além disso, também pediram que todos os réus fossem permanentemente inabilitados para exercer cargos públicos.

Ainda, o TOF 2 (Tribunal Oral Federal 2) formado por 3 juízes historicamente antiperonistas, rejeitou o pedido da vice-presidenta para ampliar o seu depoimento, como garante a lei.

Ressalta-se que a vice-presidenta Cristina Kirchner já havia solicitado ao TOF 2 que o procurador Diego Luciani e um dos juízes da Vara Federal 2 Rodrigo Giménez Uriburu fossem retirados do julgamento e que tudo o que foi feito até então, fosse declarado nulo, em decorrência de relação de amizade entre eles por formarem parte do time de futebol privado do ex-presidente Macri, impulsor da causa penal.  Na ocasião, foram publicadas na Argentina fotografias que revelavam essa relação com Macri e outros juízes.  Apesar disso, o TOF 2 não aceitou o pedido.

Segunda feira passada 15/08 a Vice presidenta solicitou ao TOF2  ampliar sua defesa no Tribunal, inexplicablemente o TOF 2 negou o direito, contrariando dispositivo da lei processual penal.

Hoje, 23/08, diante da impossibilidade de ampliar sua defesa, negada pelo TOF 2, a vice-presidenta Cristina Fernández de Kirchner fez, em suas redes sociais, uma demonstração detalhada das provas sobre a preparação e arbitrariedade dos processos contra ela.

Em seu discurso para exercer seu “direito de defesa” pela causa chamada Vialidad, CFK afirmou hoje que “desde 2019” assegura que a causa “está armada” e questionou a cobertura do caso pelos jornais Clarín e La Nation, que ela chamou de “os dois carros-chefe do ‘lawfare'”.

Neste contexto, Cristina disse hoje que teria gostado de “falar perante o tribunal” que a julga, após os procuradores “lerem o seu roteiro durante nove dias” [prática proibida pelo código processual penal]. Referindo-se à apresentação da sua argumentação no debate oral e público, e ao ilegal indeferimento do tribunal em conceder-lhe a possibilidade de ampliar sua investigação, manifestou que “parece falsa, mas é real apenas no mundo a Justiça Argentina que nega a um réu a possibilidade de ampliar sua defesa”.

Ao exercer seu direito de defesa por meio de seu canal no YouTube, após a Justiça Federal 2 negar-lhe a possibilidade de ampliar seu depoimento investigativo, a ex-presidenta definiu as denúncias dos promotores Diego Luciani e Sergio Mola como um “roteiro ruim e falso”.

“Nada do que os promotores disseram foi provado. O julgamento começa com a ficção que os promotores relataram por cinco dias. Não eram acusações, era um roteiro e muito ruim por sinal”, disse Fernández de Kirchner, que questionou Luciani e Mola por não investigarem as comunicações telefônicas do ex-secretário de Obras Públicas, José López, e do empresário Nicolás Caputo, amigo do ex-presidente Maurício Macri.

“Este não é um julgamento de Cristina, é um julgamento do peronismo e dos governos populares”, analisou a vice-presidenta, que durante sua apresentação mostrou comunicações entre o empresário Caputo (definido por Macri como um de seus melhores amigos) e o ex-funcionário José López, mostrando a familiaridade que existia entre os dois.

Além disso, sobre os elementos analisados no julgamento da suposta direção de obras públicas na província de Santa Cruz durante seu governo, a ex-presidenta insistiu: “Não só não ficou provado, como ficou provado que era exatamente o contrario do que eles disseram. Pudemos constatar [isso] através dos depoimentos de mais de 100 testemunhas convocadas pelo Ministério Público”.

O judiciário argentino tem o maior índice de rejeição e desqualificação da função pública naquele país,  acima do 70% da população expressa isso em diferentes pesquisas.

Declaração de Cristina Kirchner em rede social após indeferimento ilegal do Tribunal Oral 2.

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