A Argentina humilhada

31/07/2026 | O Dr. Jorge Rachid denuncia que o governo Milei submete a Argentina a uma colonização inédita, subordinada aos EUA e Israel, rompendo com a tradição soberana do país. Em um contexto de retrocesso de direitos, isolamento internacional e risco de fragmentação territorial, o autor convoca a mobilização popular e patriótica como única saída antes que seja tarde demais.

Por Jorge Rachid

Milei entrega a Argentina pro Trump
Pode levar tudo, Chefe!! Tudo! Tudo pela “liberdade”!

É assim que se expressa, não sem espanto, a comunidade internacional diante da claudicação nacional sofrida por nosso país em poucos anos.

Havia uma piada em 1978, que circulava por ocasião da possível guerra com o Chile, que dizia: “Um homem apresentava uma doença incurável naqueles momentos, por isso o congelavam até encontrar a cura, como se dizia de Disney. No ano 2000, o descongelam e curam, o cara começa a perguntar: quem governa? e lhe dizem Videla filho, e o ministro da economia insiste, Martinez de Hoz filho, então ele lembra que havia um conflito com o Chile e pergunta novamente, a resposta foi outra, com ênfase lhe respondem: isso sim avançou, de maneira nenhuma entregaremos Mar del Plata”.

ARGENTINA EM RETROCESSO

Hoje os argentinos discutimos eixos estruturais da Pátria que há menos de uma década não imaginávamos que teríamos um retrocesso, de tal magnitude em direitos sociais e trabalhistas, em soberania nacional e em corrupção judicial e legislativa e de entrega patrimonial da Argentina, que eram impensáveis. Estamos hoje tentando “defender” o décimo terceiro salário e as férias, e “deter” a estrangeirização de terras e geleiras, assim como o fechamento do CONICET, ARSAT, CNEA e o desfinanciamento dos avanços em ciência e tecnologia.

ARGENTINA COLONIZADA

A colonização subordinada aos EUA, Israel, Inglaterra, FMI, CIADI e OTAN, que produziu o atual Governo libertário, conduzido pelos irmãos Milei, não tem antecedentes na história argentina desde sua emancipação e teve impacto mundial, em que nosso país se caracterizava pela neutralidade, pela paz e pela Terceira Posição Internacional, como estratégia geopolítica soberana, há mais de um século, sustentada por Irigoyen primeiro e Perón depois.

ARGENTINA ISOLADA

Esta situação se agrava em um quadro agitado, de mudança de época nas relações internacionais, em que as condições e convenções estabelecidas no pós-guerra de 1945 foram sepultadas por uma nova realidade, voltada ao Oriente majoritário, que deslocou a hegemonia, detida desde então por um Ocidente, hoje em decadência, que só pode iniciar guerras para proteger sua retirada e evitar maiores danos, tanto nas zonas de influência perdidas, quanto no comércio internacional e na prevalência de moedas.

ARGENTINA DE JOELHOS

A Argentina ficou posicionada em uma posição humilhante, de braço executor dos interesses dos EUA e Israel, que usam o presidente como o agitador perpétuo, o provocador de todos aqueles dirigentes de diferentes países, que não só não coincidem com os planos assassinos e bélicos desses países genocidas, mas que ataca em seu nome, como se fosse de interesse nacional ou latino-americano, Estados que são a base de nossa própria economia, comércio e relações históricas, prejudicando a continuidade das mesmas, ficando a Pátria sujeita a uma única condução, a Imperial.

ARGENTINA HUMILHADA

Então não é só a patética imagem de Milei que fere o olhar argentino no exterior, é seu alinhamento e o “trabalho sujo” que faz para os donos do poder, tentando ser parte de um jogo, em que nunca o habilitarão a jogar em outro lugar que não o de soldado raso, que estão sempre dispostos a sacrificar a qualquer momento, como Hussein do Iraque ou Noriega do Panamá em diferentes momentos, ambos homens a serviço dos EUA.

ARGENTINA PROSTRADA

Enquanto a Argentina e seu povo transitam em terapia intensiva, tanto econômica quanto socialmente, com uma comunidade em diáspora, gerações sem rumo, camadas médias empobrecidas, desclassificados de todo tipo com inúmeras famílias em situações extremas, com índices alarmantes de suicídios e doenças incapacitantes disparadas sob o abrigo da imunossupressão, com angústias, medos e isolamentos sociais, com perdas de direitos humanos, em um quadro judicial e econômico que só favorece os ricos do sistema e as ordens dos donos do poder, como o Círculo Vermelho, as Embaixadas dos EUA e Israel, acordando com a IV Frota e a OTAN, sua estratégia colonizada.

ARGENTINA SEM HISTÓRIA

Que Pátria nos restou de nosso país com uma história de lutas e épicas gloriosas, das quais nos orgulhávamos como argentinos e que tentaram apagar de nossa memória, com a pretensão colonial de eliminar qualquer vestígio de identidade nacional, de solidariedade social compartilhada, de defesa de nossos recursos naturais, de federalismo integrado, com visão de Pátria Grande postergada pela violência da irrupção de um Império, que em sua decadência, pretende cercar a região latino-americana como própria, o que os EUA expressam publicamente em toda sua magnitude, sem receber rejeição, pelo contrário, abraços do Governo nacional.

ARGENTINA EM LUTA

Esta situação só será revertida por uma mobilização da consciência nacional, que permita recuperar o sentimento patriótico, hoje eixo da reconstrução da Pátria, que está além das disputas setoriais, dogmáticas, canibais, frívolas, egoístas, que deterioram a capacidade de discussão política sendo funcional ao inimigo, que pretende deslocar a política como eixo de construção do modelo social e produtivo de nosso país.

ARGENTINA EM PERIGO

Esse caminho deveria ser percorrido em tempo acelerado, já que os planos do inimigo são de um posicionamento colonial que acarreta a fragmentação geográfica e a perda de controle soberano de setores de terra e mar argentinos, que serão tutelados pela IV Frota dos EUA, desde Terra do Fogo, Mar Austral, Antártida Argentina, Passos Interoceânicos ao Rio Paraná, Hidrovia e os Portos Privados. Não encontraremos uma Argentina integrada, tal qual a conhecemos e crescemos, mas sim uma Pátria sem destino, com um povo excluído, explorado e escravizado.

ARGENTINA DE PÉ

A mobilização popular, a rua e a luta são o único caminho para o impeachment ou as urnas, porque é a forma de criar consciência coletiva protagonista, diante de uma situação terminal que compromete o futuro da Pátria e que só poderá ser reconstruída compartilhando o sentimento patriótico, que não pode se expressar apenas nos eventos esportivos, mas deve ser um objetivo comum compartilhado, desde diferentes posições políticas do campo nacional.

JORGE RACHID, CABA, 30 de julho de 2026

BIBLIOGRAFIA
Fermín Chavez: Historia de los Argentinos. Ed. Theoría
Gabriel Merino: China y el Nuevo Poder Mundial Perspectiva desde América Latina. Ed. CLACSO
Walter Formento: El Proyecto Multipolar Por una nueva civilización. Ed. Acercándonos