Stiglitz alertou que a Argentina está “à beira de outra crise” devido à dívida com o FMI

29/07/2025 │ O economista ganhador do Prêmio Nobel alertou que a Argentina enfrenta uma nova crise devido à sua dívida com o FMI, criticou a atuação de Luis Caputo nos governos Macri e Milei e afirmou que o país “não é viável” com seu atual nível de dívida.

FONTE: Primereando las noticias

O economista ganhador do Prêmio Nobel Joseph Stiglitz alertou que a Argentina “está à beira de outra crise” devido ao endividamento externo que começou durante o governo Mauricio #Macri e se agravou no atual governo Javier #Milei. O economista criticou diretamente o ministro Luis Caputo, responsável pelas negociações com o Fundo Monetário Internacional. “O país não é viável”, declarou.

Durante palestra no Festival Gabo, na Colômbia, Stiglitz propôs um modelo de “capitalismo progressista”, no qual o Estado possa recuperar o controle do poder financeiro. Nesse contexto, ele traçou um paralelo entre Macri e Milei, observando que ambos recorreram ao FMI, com resultados que prenunciam uma nova crise.

Ele lembrou que o governo Macri [2015-2919] tomou um empréstimo de US$ 44 bilhões para abrir a economia, mas denunciou que “os mais ricos da Argentina sacaram o dinheiro sem qualquer comprovação de para que o usaram”. Esse ciclo de fuga e dívida, disse ele, “mudou o país”: “Macri chegou com problemas econômicos, mas sem uma crise de dívida. Quando saiu, deixou uma. Foi a má gestão dos mercados abertos que levou à crise atual.”

Stiglitz enfatizou que essa “má gestão” foi obra de Luis Caputo, que foi Secretário e posteriormente Ministro da Fazenda durante o governo Cambiemos. Hoje, como Ministro da Economia de Milei, ele repete o mesmo padrão: “O que aconteceu no governo Milei piorou o problema. Não conseguiram pagar os US$ 44 bilhões, e o FMI emprestou outros US$ 20 bilhões que também não conseguirão pagar.”

Para o ganhador do Nobel, a aparente queda da inflação não deve ser interpretada como uma conquista sólida. “A inflação foi reduzida porque eles conseguiram manter a taxa de câmbio estável. Isso ajudou a contê-la. Mas o país não é viável com mais de US$ 56 bilhões em dívidas. Não é possível pagar isso”, alertou.

Diante da expectativa do governo de retornar aos mercados internacionais com taxas próximas a 9%, Stiglitz foi direto: “Embora os números pareçam bons agora em termos de inflação, se analisarmos a situação atual da Argentina, ela está à beira de outra crise. Em alguns anos, veremos as consequências.”