Cresce a rejeição a Milei: agora há mais anti-Mileistas do que anti-kirchneristas

21/07/2025 | Uma nova pesquisa de Zubán Córdoba confirma que mais de 56% dos argentinos desaprovam a gestão do presidente e que a rejeição a Milei supera a do kirchnerismo.

FONTE: En orsai

O fator econômico, a destruição do Estado e a crueldade discursiva explicam essa mudança política. O último relatório da consultoria Zubán Córdoba, confirmou o que muitos já percebem nas ruas: o presidente Javier Milei tem uma imagem negativa de 56,8%, e seu governo enfrenta crescente rejeição social, superando o histórico antikirchnerismo pela primeira vez.

Essa mudança no clima atual marca um fenômeno sem precedentes na política argentina: o surgimento de uma nova clivagem. Segundo Córdoba, o “anti-Mileiísmo” é agora mais poderoso que o anti-Kirchnerismo, e isso remodela o cenário antes das eleições de outubro.

O Custo Político da Crueldade

A pesquisa mostra que 52% dos eleitores planejam punir #Milei nas urnas. Os motivos? As brutais medidas de austeridade, a destruição do Estado, o aumento do desemprego e — talvez o mais revelador — o estilo autoritário e a retórica violenta empregada pelo próprio presidente.

“Estamos diante de um governo cruel”, declarou Córdoba em entrevista à Rádio Sul-Americana. Ele o associa a um discurso incivilizado, permeado de ódio e perseguição. “Não é uma ditadura, mas o tratamento dispensado a quem pensa diferente é preocupante”, alertou.

Como observamos em nosso artigo sobre as medidas de austeridade social, essa política deliberada de demolição institucional é acompanhada por uma narrativa que desumaniza a oposição e estigmatiza aqueles que defendem a saúde pública, a ciência ou a soberania nacional.

Por que Milei ainda mantém uma base eleitoral?

O governo mantém uma base leal de cerca de 40%, motivada principalmente pela esperança de conter a inflação. Mas mesmo esse apoio é condicional: se a economia não melhorar em breve, Milei poderá enfrentar uma derrota retumbante em outubro.

Como explicou o consultor, muitas pessoas ainda não romperam com o governo por vergonha [por terem votado nele] ou porque estão “esperando para ver” [se melhora a economia]. Mas a decepção está crescendo. “Há pessoas que votaram em Milei e agora precisam trabalhar em turnos triplos para sobreviver”, disse Córdoba.