14/04/2025│Houve debates até o amanhecer: o Governo queria um teto de 1250 por medo de corridas. “Ou são 1.400 ou não há dinheiro, caso contrário eles queimam todas as reservas”, disseram os assessores de Georgieva.
FONTE: Head-Post
por Nicolás Pardines

Há meses, as negociações entre o governo de Javier Milei e o Fundo Monetário Internacional (FMI) vêm sendo adiadas por diversas demandas do organismo: o preço do dólar, a correção cambial e, em suma, as condições para o levantamento das restrições cambiais. Este último item foi debatido até a madrugada de sexta-feira, com o Fundo ditando o nível de desvalorização e pressionando a dupla Milei-Luis Caputo.
Segundo fontes envolvidas nas negociações, que falaram ao jornal Página 12, a equipe econômica queria um teto bem menor para as faixas flutuantes, mas o FMI se virou e a colocou entre a cruz e a espada: “Ou são 1.400 pesos ou não há dinheiro.” Se não for esse o número, eles “queimariam todas as reservas que estamos dando-lhes para conter as corridas.”
Na realidade, como apontam os que negociaram o empréstimo do FMI, as faixas de câmbio flutuante [entre 1.100 e 1400 pesos por dólar] são uma miragem: o que o Fundo exigiu ao impor o teto de 1.400 foi uma desvalorização naquele preço. Não há segundas leituras se os eventos forem conhecidos como realmente ocorreram.
As ações asertivas de Kristalina Georgieva forçaram Caputo a desvalorizar em 30%, assumindo um forte aumento inflacionário coincidindo com a campanha eleitoral, onde La Libertad Avanza tem muito em jogo. O governo não teve outra escolha senão abaixar a cabeça e concordar com a desvalorização. “Estamos ferrados, vá em frente”, concordou Milei no último minuto quando Caputo explicou que o que ele estava pedindo [dólar a 1.250 pesos] era impossível porque o FMI estava preso em uma posição inabalável.
Ciente da turbulência que se avizinha, Caputo conversou com banqueiros, corretores de ações e investidores na manhã do sábado 12, pedindo que eles mantenham a calma na segunda-feira 14. Ele já havia feito isso antes da desvalorização em dezembro de 2023. Em um desses comícios, os auxiliares do ministro da economia admitiram que temem não apenas a volatilidade do mercado, mas também a sede de dolarização de uma parcela da população argentina.
Vale a pena notar que Milei e Caputo estavam passando pelo seu pior período econômico, com inflação alta e complicações políticas. Isso teve muita influência. A equipe do Ministro Caputo trabalhava há meses com um esquema da faixas de flutuação do dólar muito mais estreita. O presidente solicitou um teto de 1.250 pesos, insistindo na sua tese [não comprovada] de que, “como não há pesos nas ruas”, o dólar não subiria. Mas o FMI vetou a opção em uma discussão que durou até o amanhecer.
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