22/11/2024 | Ele foi assessor de Milei durante a campanha e é um de seus defensores públicos e foi indiciado no Brasil pela tentativa de golpe contra Lula da Silva.
FONTE: El destape

Fernando Cerimedo, assessor de Javier Milei durante a campanha e um de seus mais leais conselheiros e defensores públicos, foi indiciado pela polícia brasileira por ter participado do golpe de estado que tentou impedir a posse de Luiz Inácio Lula da Silva em 2022.
Cerimedo, que trabalhou com Bolsonaro e depois com Milei, é citado como integrante de “uma organização criminosa” que gerou desinformação e fake news para desacreditar o sistema eleitoral e incentivar um levante das Forças Armadas e da Polícia que impediria a vitória eleitoral de Lula e, então, sua posse. Ele é o único estrangeiro entre os 37 acusados pela justiça brasileira.

Fernando Cerimedo ficou conhecido como o estrategista digital por trás das campanhas de Jair Bolsonaro e Javier Milei e ganhou notoriedade por seu papel na disseminação de notícias falsas e campanhas de “trolls” nas redes sociais.
Em entrevista que concedeu em setembro de 2023 ao El Destape, Cerimedo negou sua responsabilidade na tentativa de golpe contra Lula da Silva. “Em relação ao Brasil, um dia antes, fiz vários vídeos e lives que estão nas redes dizendo que eles não deveriam ir ao Planalto e que, se forem protestar, devem ficar em frente aos quartéis. Essa prova foi apresentada a justiça e o Supremo Tribunal Federal do Brasil me absolveu. Havia milhares de contas apoiando, em meu nome, contas com 300 seguidores que pediam isso, mas não fui eu”, afirmou.
Porém, a verdade é que, no dia 11 de dezembro de 2022, pouco mais de um mês após as eleições, Cerimedo publicou um longo vídeo no YouTube no qual denunciou abertamente supostas fraudes na vitória de Lula, exibindo supostos relatos de fraude nas urnas eletrônicas.
Cerimedo aparece mencionado, na investigação da Polícia Brasileira, como integrante do “Núcleo de Desinformação e Ataques ao Sistema Eleitoral”, junto com, entre outros, Barbosa Cid (então tenente-coronel do Exército), Anderson Torres (ministro da Justiça bolsonarista), Eder Lindsay Magalhães (empreendedor de tecnologia), Sérgio Ricardo Cavaliere de Medeiros (tenente-coronel) e Tércio Amaud Tomaz (assessor de Bolsonaro).
“Forma de atuação: produção, divulgação e amplificação de fake news sobre a transparência das eleições presidenciais de 2022, a fim de incentivar seguidores a permanecerem em frente aos quartéis e instalações das Forças Armadas, com o objetivo de criar o ambiente propício ao golpe de estado”, descreveu a investigação policial sobre o funcionamento deste grupo formado por Cerimedo.
Além disso, a Polícia também apontou Cerimedo como criador de um documento do Google Drive que continha uma pasta que “teria sido alimentada com arquivos de autoria do major ANGELO MARTINS DENICOLI. Os arquivos estariam relacionados com a difusão de informação falsa sobre as urnas eletrônicas“. Isso “evidencia a ligação entre o conteúdo abordado na transmissão ao vivo realizada pelo argentino e o grupo atualmente investigado”, concluiu a investigação oficial.
