A era Mondino: pela primeira vez em 30 anos a reivindicação das Malvinas não foi incluída no documento do Mercosul

10/07/2024│Com a ausência de Milei, embora tenha viajado ao Brasil, o documento final da cúpula do Mercosul não incluiu a questão das Malvinas pela primeira vez desde 1996, apesar da presença em Assunção da chanceler Mondino. A desculpa insólita.

FONTE: Primereando las noticias

Diana Mondino, ministra das Relações Exteriores da Argentina.

O documento final da cúpula do Mercosul realizada em Assunção, no Paraguai, não incluiu pela primeira vez desde 1996 a questão das Ilhas Malvinas e a reivindicação da Argentina ao Reino Unido, apesar da presença da ministra das Relações Exteriores, Diana Mondino, na ausência do presidente Javier Milei, que priorizou o encontro com Jair Bolsonaro no Brasil.

Embora o documento tenha sido uma conquista, dadas as fortes diferenças internas entre os principais países do bloco, conseguindo um acordo como continuação do que foi alcançado na reunião do Rio de Janeiro em dezembro, não foi um bom resultado para a Argentina.

O documento, assinado por todos os membros, tem mais de 30 pontos entre os quais se destacam temas como a Tarifa Externa Comum ou o comércio exterior. Porém ficou de fora a soberania das Ilhas Malvinas, um tema relevante e sensível para os argentinos, pela primeira vez em quase 30 anos.

Na chancelaria argentina deram a desculpa de que foi priorizado o aspecto econômico e as Malvinas “é uma questão política”, mas é uma mentira descarada e não há outra definição. Por quê? Porque muitas questões não econômicas aparecem no documento, tais como a incorporação da Bolívia como membro de pleno direito, questões fronteiriças, e até se deram ao trabalho de elaborar uma declaração separada sobre a luta contra o crime transnacional.

A incorporação destes temas revela a possibilidade de ter se conseguido um consenso e incorporar um ponto no documento acerca das Malvinas, mas ou houve falta de vontade política por parte da Argentina, que nem sequer teve seu Presidente presente e que motivou reclamações do Uruguai e do Brasil, ou, na falta disso, a política agressiva de Milei para com seus pares está atrapalhando.

Segundo fontes diplomáticas, as duas hipóteses levantadas são verdadeiras. Segundo dizem, “o que temos aqui é falta de vontade por parte do governo e raiva por parte dos países devido às constantes crises abertas com o Brasil, a Bolívia e todos os outros”.

“Por que a Bolívia e o Brasil vão nos apoiar nas Malvinas se há dois dias dissemos que o golpe de Estado [na Bolívia] foi uma farsa ou acusamos o presidente [Lula] de ser comunista e corrupto?”, acrescentaram.

Outra questão que faz barulho entre os parceiros e aliados da Argentina na reivindicação das Malvinas contra o Reino Unido em organismos internacionais, como a OEA ou o Mercosul, é a virada de Milei contra a Agenda 2030, visto que nela se inclui a mudança climática, tema que interessa às nações caribenhas, por exemplo, atuais apoiadores da tese argentina acerca da soberania das ilhas.