Milei viaja para a Itália para o G7 sem chanceler numa semana chave para o Governo

11/06/2024│O presidente argentino deixa o país pela oitava vez enquanto o Senado trata do projeto da Lei de Bases. Aguarda-se também a decisão da China sobre a renovação do swap cambial.

FONTE: RT

O presidente da Argentina, Javier Milei, viajará nesta quarta-feira à Itália para participar do Grupo dos Sete (G7), em uma semana importante para a política interna pelo tratamento da Lei de Bases, que começará a ser debatida neste mesmo dia no Senado

Além disso, espera-se que nas primeiras semanas de junho a China decida se renova ou não o swap cambial com a Argentina. Caso contrário, o Governo Milei terá de cobrir vencimentos de cerca de 5 bilhões de dólares, noticiou Cenital

O presidente de extrema-direita decidiu comparecer ao G7 sem a sua chanceler, Diana Mondino, a ministra que viajou à China no final de abril para procurar uma aproximação com as autoridades do país asiático, mas que apertou ainda mais a corda ao declarar em entrevista que os chineses “são todos iguais”. 

Nesta segunda-feira soube-se que a secretária-geral da Presidência, Karina Milei, tirou de Mondino a gestão da Fundação Argentina para a Promoção de Investimentos e Comércio Internacional, que passa do âmbito da chancelaria argentina para a área gerida por ‘La Jefa‘ [A Chefa], como chamam a irmã do presidente. 

“A transferência é feita porque acreditamos que será mais eficiente dependendo diretamente da Presidência, ou da Secretaria-Geral”, explicou esta manhã o porta-voz Manuel Adorni, acrescentando que tem a ver com a necessidade de “vender a Argentina no mundo”.

Tensão interior

A verdade é que a decisão de Mondino não integrar a delegação presidencial que viaja à Itália para um evento de relevância diplomática, somada ao afastamento de uma fundação que dependia do Ministério dos Negócios Estrangeiros e Culto, causou desconforto a quem rodeava a chanceler.

Uma importante fonte diplomática observou que foi “um gesto muito forte” afastar a chanceler da reunião do mais importante fórum de política externa. “Eles a estão convidando a sair”, disseram ao portal La Política Online.

Por enquanto são especulações, mas a tensão com Mondino ocorre no quadro da crise que afeta um Gabinete que, segundo o próprio Milei, está “em constante avaliação”, e que já levou à saída do antigo chefe de ministros, Nicolás Posse.

Na Itália, Milei coincidirá com seus homólogos do Brasil, Luiz Inácio Lula da Silva, da França, Emmanuel Macron, o Papa Francisco e o príncipe herdeiro da Arábia Saudita, Mohamed bin Salmán, entre outras personalidades que serão recebidas pela primeira-ministra italiana, Giorgia Meloni.