Argentina com salários mais baixos e preços mais altos da América Latina

29/05/2024│Um estudo da UNDAV mostra que o salário mínimo passou do mais alto da região para o mais baixo em apenas uma década. Leite, café e macarrão são os produtos mais caros.

Por: Alfonso de Villalobos @alfondevil

FONTE: Tiempo argentino

O salário mínimo na Argentina é de US$ 234.315, e é o mais baixo entre os países mais importantes da região, pois representa apenas 264 dólares à taxa de câmbio oficial.

Acima está os salários no Peru com US$ 274, Brasil com US$ 276, Colômbia (US$ 339), Bolívia (US$ 361) e Chile, onde está fixado em valor equivalente a US$ 516. Como referência, na Espanha, o salário mínimo equivale a US$ 1.141.

É o que demonstra um relatório elaborado pelo Observatório de Políticas Públicas da Universidade de Avellaneda (UNDAV) que analisa a situação atual marcada por uma inflação elevada originada no choque de desvalorização do peso argentino (-118% em relação à moeda estadunidense) de dezembro, acompanhada por uma posterior estabilização do valor da moeda norte-americana, que deriva de um aumento acentuado nos preços medidos em dólares.

Daí surge a contradição que existe entre a queda do salário mínimo real e do salário médio e a elevação dos preços dos principais alimentos medidos em dólares. Por isso, concluem, os empregados sofrem uma desvalorização dos seus salários acompanhada de uma elevada inflação em dólares.

O relatório assegura que, “em geral, os processos de valorização cambial estão associados a aumentos dos salários reais. No entanto, indica, “o paradoxo da política econômica destes meses é que se processa numa forte valorização da taxa de câmbio sem ganho real nos salários, deteriorando o poder de compra”.

Ao explicar as razões da estabilização da taxa de câmbio, a UNDAV salienta que “tem sido possível sustentá-la devido ao ajuste monetário resultante do ajuste fiscal”.

Em suma, conclui o estudo, “a Argentina atravessa um forte processo inflacionário que, embora o resultado final seja incerto, se combina com um processo de aumento dos preços de bens e serviços, em moeda forte, que não é acompanhado pela renda da população”. Por esta razão, preveem que “as famílias em situação de pobreza aumentarão”.